domingo, 25 de janeiro de 2009

Thor

Quando ganhei esta cerveja do Botto, fiz uma entrevista com ele aqui, não imaginava o que ela viria a se tornar, no inicio já havíamos experimentado e comprovado que era uma das melhores cervejas produzidas pelo caro amigo, e como todas as suas cervejas o nome é mitológico e seu nome foi escolhido a dedo.

“Thor é personagem clássico da mitologia nórdica-germânica, e, filho de Odin, representa força, com seu martelo mágico. Curiosamente há um conto que diz que Thor certa vez subiu até o Castelo do Gigante Hymir para dele roubar um enorme caldeirão, com o qual se fez cerveja e hidromel para presentear os Deuses e o povo. Thor tinha ainda uma carruagem puxada por dois bodes, Tanngnost e Tanngrisni. Nome melhor não poderia haver, logo, pra designar um estilo de cerveja tipicamente germânico, forte no malte e no álcool, chamado de doppelbock, ou em bom português dois bodes, ou duas vezes bode, tal como os dois bodes da carruagem do Thor mitológico”.
Estas são as palavras do Botto explicando sobre o nome desta bela cerveja, que já pode participar de uma competição em Cincinnati, Ohio, Estados Unidos, e conquistar a 3ª colocação na Bockfest Competition, um concurso tradicional norte americano voltado apenas para as cervejas do estilo Bock, daí ficou comprovado que era uma ótima cerveja.

Certa vez a cara Cilene Saorin tomou e comentou que a Thor tinha estrutura para ficar guardada durante algum tempo, e com uma dica desta não pensei duas vezes em pegar um dos exemplares e guardar, e assim depois de um ano e meio da sua produção e várias tentativas de furto deste ultimo exemplar, inclusive com um falso Xavier implorando pela garrafa, resolvi colocar a prova, tínhamos outros dois exemplares do estilo para uma comparação de diferenças, a complexidade contida da Thor impressionou a todos, até mesmo quiseram confirmar se ela era uma lager, pois é, era uma lager porém com uma complexidade de ALE. Seu rico aroma, seu corpo robusto, seu paladar equilibrado tento descrever abaixo:
Cerveja: Thor – Botto Bier
Apresentação: Garrafa 500ml.
Tipo: Doppelbock
Alcool: 9%
Cor: Escura, tons avermelhados, limpa, brilhante.
Espuma: Ótima formação, duradoura.
Aroma: Doce, malte, notas torradas, ameixa, leve álcool, complexo.
Paladar: Ótimo corpo, malte, chocolate, frutas maduras, torrado, quente do álcool, ótimo doce residual, sensação residual doce com leve torrefação.
Comentário: Os outros dois exemplares, um nacional e outro alemão, também ficaram em guarda porém durante um período menor de tempo, no mesmo local aonde a Thor permaneceu por um ano e meio, ambas haviam perdido muito as características, inclusive uma estava imprópria para consumo, ficou de fora. Outras pessoas que degustaram não acreditavam que a cerveja havia sido feita em uma panela, ficou guardada um ano e meio e tinha tanta complexidade em seu sabor, Botto faz o favor de fazer mais algumas levas desta cerveja, com certeza todos que tomarem irão agradecer. Que pena que este foi a ultima garrafa desta produção.....
Mais informações: Blog do Botto

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Bohemia Oaken


Se era para despertar curiosidade, conseguiu!!!
A cerveja mais elaborada da gigante indústria cervejeira no Brasil tinha como dilvulgação e marketing seu processo de produção quase manual ou artesanal. Basearam-se nisto, devido a visível trajetória das cervejas “manuais” do mercado nacional e sua franca expansão, por isso mesmo a Bohemia Oaken tinha um diferencial, apenas 8000 garrafas de 550 ml foram produzidas, que poderiam ser compradas apenas no site da Bohemia em kits que continham duas garrafas, duas taças, um conjunto de bolachas falando sobre a produção e tudo isso acondicionada em uma caixa de madeira toda trabalhada.

Cada kit custou R$ 85,00 e apesar do preço a cerveja se esgotou rapidamente, demonstrando a curiosidade/sede do consumidor por produtos novos. Os consumidores que conseguiram comprar um dos 4 mil kits disponíveis acompanharam todas as etapas do processo de produção de sua própria cerveja on line, ou recebendo mensagens de como estava o processo de produção.
O lançamento da Bohemia Oaken foi idealizado pela não menos famosa agência DM9DDB que criou uma peça tão artesanal quanto a cerveja para compor a campanha: uma litografia, técnica criada no século XVIII em que o desenho é feito em pedra com grafite e depois prensado sobre papéis especiais. São 6 mil anúncios que foram produzidos e recortado manualmente, veja o processo aqui e, um a um, foram prensados, numerados e autografados pela litógrafa Patrícia Motta.

A bela garrafa também é especial leva um tratamento especial, é jateada, isso lhe confere uma aparência fosca e aveludada, o rótulo também é muito bonito pois além da imagem que remete a madeira, a textura do papel contém relevos que lembram um pedaço de madeira, muito bacana.

A receita da Bohemia Oaken é do mestre cervejeiro Luciano Horn, que em sua produção colocou chips ou lascas de carvalho francês na maturação, muito se falou sobre a maturação em barris, mas não foi desta vez que tivemos um produto com esta complexidade, entretanto o resultado foi interessante, graças também aos lúpulos ingleses e maltes escuros europeus.


Cerveja: Bohemia Oaken
Apresentação: Garrafa 550ml.
Tipo: Lager
Álcool: 6%
Cor: Ruby, limpa, brilhante.
Espuma: Média formação, duradoura.
Aroma: Carvalho, malte, notas doces, leve defumado, pouco de lúpulo.
Paladar: Baixo corpo, malte, notas doces, algum defumado, médio amargor, leve torrado, suavemente seca, sensação residual com agradável dulçor e ligeira adstringência.
Comentário: O aroma surpreende muito mais que o paladar, ambos soam muito diferentes, o marketing agressivo fez com que a cerveja ficasse super valorizada, criando uma expectativa absurda, realmente todo o cuidado com embalagem, copo, kit e acompanhamento do processo foi muito bem feito, a cerveja em si é boa e correta, mas seu corpo peca, é muito ligeiro, suas notas torradas poderiam ser mais intensas e o aroma remetendo mais a madeira, mas com certeza se for vendida no mercado a um preço justo, vale a compra.

Foto: Fernando Willadino


Neste ultimo final de semana aconteceu o Planeta Atlântida, um evento musical que acontece desde 1998 em Santa Catarina e também no Rio Grande do Sul, um evento na qual até o memorável Tim Maia tocou e que reúne milhares de pessoas durante os dois dias de evento. Este ano foram diversas atrações durante a sexta e sabado, pude ir como convidado da Nova Schin que era um dos patrocinadores do evento, o camorote tinha um espaço muito interessante e com uma ótima presença de público, tive o prazer de conhecer diversas pessoas e conversar sobre o que quase não gostamos, cerveja! Posso adiantar que, conforme as conversas, este ano será de novidades e pelos rumores coisas boas virão, as cervejas “especiais” do grupo terão ainda mais atenção e chegarão a cada vez mais lugares, irão participar de mais eventos, e serão lançados novos produtos. Esperamos que os trabalhos feitos nas micros continuem brilhantes e que tragam ainda mais conhecimento ao consumidor brasileiro, tudo isso aliado a produtos de qualidade.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Confraria do Marquês

Mauro, Pedro e Tiago em 2005 montaram a Confraria do Marquês, a união dispensa apresentações, estão há 10 anos produzindo cervejas maduras, cervejas novas, cervejas fáceis, cervejas complexas e agora cervejas extremas.
Desde o início, assim como a maioria dos cervejeiros caseiros, eles visam compartilhar os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo com outros cervejeiros, e olha que alguns anos atrás a falta de informação sobre o assunto era grande, nem se ouvia falar de cultura cervejeira no Brasil e aliado a isso, os poucos lugares para compra de matéria prima dificultavam, fato que ainda hoje perdura.
Hoje a confraria é um verdadeiro celeiro de bons cervejeiros caseiros, seus cursos, já trouxeram a tona Botto, Edu Passareli e Marco Zimmermann, estes são alguns exemplos de alunos e que hoje “comem com farinha” a arte de produzir uma cerveja em casa, temos muito a agradece-los. E claro, foram uma peça fundamental no surgimento e formalização da Acerva Carioca.
Desta vez pude degustar dois exemplares do Tiago, cervejas com aroma e paladar complexos, com boa carbonatação e ótimo corpo. O primeiro exemplar foi a Condessa Trippel , produzida em novembro de 2007 e engarrafada em fevereiro de 2008. Foi dividida em duas partes na maturação, a primeira terminou rápido poucas pessoas viram, pude degustar da segunda leva. A segunda cerveja degustada foi a Santo Antonio Belga, uma American Amber Ale, produzida em parceria com o Mauro, no QG da Confraria do Marquês no Rio, especialmente para um curso que ministraram, abaixo coloco minhas impressões sobre as cervejas:

Cerveja: Confraria do Marquês
Apresentação: Garrafa 355ml.
Tipo: Tripel
Álcool: 9%
Cor: Alaranjada, leve turbidez, brilhante.
Espuma: Boa formação, muito duradoura.
Aroma: Malte, álcool, frutado (laranja), um pouco cítrico, complexo.
Paladar: Bom corpo, malte, notas doces, picante, quente, lúpulo, sensação residual agradavelmente doce e seca.
Comentário: Ela vai fielmente ao estilo, dentro da condição de uma “produção caseira”, mas com ela é fácil a visualização de uma cerveja belga no paladar, destes exemplares que se encontra em bares, se fosse para mudar algo......deixaria do jeito que está.


Cerveja: Confraria do Marques
Apresentação: Garrafa 1 litro.
Tipo: American Amber Ale
Álcool: 6,5%
Cor: Amber, leve turbidez, brilhante.
Espuma: Boa formação, média duração.
Aroma: Malte, lúpulo, notas álcool, leve torrefação.
Paladar: Bom corpo, malte, agradável doçura, álcool, bem carbonatada, moderado amargor, sensação residual agradavelmente lupulada.
Comentário: A cerveja se comportou bem, a carbonatação estava alta, no contexto geral é uma cerveja fácil para se degustar no dia a dia.
Mais informações: Confraria do Marques

domingo, 11 de janeiro de 2009

Old Tom


Foi em Stockport, precisamente em 29 de Setembro de 1838 que Frederic Robinson comprou um pub com fabricação própria de cerveja, este foi o início de uma empresa cervejeira que se tornou uma das maiores no Reino Unido. Agora já passa pela quinta e sexta geração da família, a empresa continua a desenvolver-se e ganhar prêmios pelo mundo.

Segundo um relato do Beerhunter Michael Jackson a atual fábrica de cerveja, foi construída na década de XX. Os sacos de malte são levantados por um equipamento que parece um elevador de passageiros e leva para o ultimo andar do prédio, aonde fica a “cozinha” da cervejaria. Os grãos passam por um moinho comprado em segunda mão quando a cervejaria foi construída, em seguida todos os processos ocorrem por gravidade, filtração, fervura, fermentação e maturação, ocorrem em andares diferentes. Estas fases quando acontecem são auxiliadas por escotilhas levantadas por correntes e equilibradas por contrapesos.

A Cervejaria produz 16 cervejas diferentes, mas a galinha dos ovos de ouro é a Old Tom que é produzida desde 1899 e ano passado ganhou no World Beer Awards como a melhor Dark Ale, em 2005 pela segunda vez ganhou um concurso produzido pela CAMRA como a melhor cerveja de inverno do Reino Unido.
A Old Tom tem o desenho de um gato serigrafado em sua embalagem. Segundo relatos também de Michael Jackson, a ligação do gato a cerveja diz respeito ao comum hábito que as cervejarias tinha no passado, em possuir um felino como animal de estimação, para assim eliminar ratos que atacavam os estoques de maltes. Em visita ao QG da OPUS em Florianópolis, o Murilo trouxe um exemplar desta bela cerveja que degustamos e deixo minhas impressões abaixo:
Cerveja: Old Tom
Apresentação: Garrafa 330ml.
Tipo: English Strong Darl Ale
Álcool: 8,5%
Cor: Castanho, marrom, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Malte, Chocolate, frutado, doce, leve torrado, traços de lúpulo.
Paladar: Ótimo corpo, malte, chocolate, leve doçura, licorosa, vinho do porto, frutado, picante, sensação residual com agradável e longo amargor equilibrado com notas doces.
Comentário: Cerveja excpecional, não é a toa que é famosa pelas suas qualidades, não é importada para o Brasil, mas fica a dica.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Feliz 2009 e Rodenbach Grand Cru

Bem amigos do oBIERcevando, passei por um momento de assumir novos desafios, planejar o ano de 2009 e claro degustar “algumas” cervejas, infelizmente alguma das inúmeras coisas do dia a dia teve que ficar para “depois”, optei pelo blog que ficou parado momentaneamente.
Primeiramente um ótimo 2009 a todos com muito sucesso e alegria, boas cervejas sempre, entretanto o ano para nós cervejeiros já entra com tensão, pois o nosso querido governo está aumentando consideravelmente a cobrança de IPI, PIS. COFINS, isto será abordado mais tarde com um post sobre o assunto e aviso que se não nos unirmos, vai tudo por goela abaixo.

Outra coisa é que em breve teremos uma novidade muito interessante e que agregará ainda mais este mercado cervejeiro que vai ter que continuar crescendo, logo será divulgada a novidade.

Mas vamos ao que interessa, para começar bem o ano, degustei mais um exemplar da Rodenbach, a cervejaria fica localizada em Roeselare, foi aberta em 1821 por Alexander Rodenbach, um homem de classe média que se tornou uma figura importante na Revolução Belga em 1830.
De 1836 a 1864 Regina Wauters, esposa de Pedro Rodenbach dirigiu a cervejaria, depois foi passada a Edward Rodenbach, o seu filho, sob os quais a cervejaria se desenvolveu e expandiu muito bem, acrescentando novo maquinário, novas caves para os tanques de carvalho.
A última pessoa da família Rodenbach a tocar a cervejaria foi Eugène, o filho de Edward. A cervejaria era propriedade familiar até que foi comprada pela Palm Breweries, em 1998.
A Rodenbach sofre fermentação com um misto de Fermento “Ale” e Fermento láctico, este último para dar acidez a cerveja, ele não produz álcool.

Os barris de carvalho desenvolvem papel primordial no processo de maturação. Dentro da cervejaria ainda se produz cada um exatamente como em 1821. Só madeira da melhor qualidade pode ser usada para produzir o barril e não pode pregar ou parafusar, tudo é feito através de encaixe.

Michael Jackson, o BeerHunter, em sua visita a fábrica concedeu a Rodenbach o título de "A cerveja mais refrescante do mundo" título gravado nas dependências da cervejaria.
Esta cerveja da Rodenbach é uma Flanders Red Ale, um estilo muito particular das cervejas belgas. Elas são famosas pelos seu distinto e acentuado paladar “difícil” que possui frutado, amargor, acidez e azedo, sabores que são criados por cepas especiais de levedura. São cervejas complexas e abaixo segue um pouco de minhas impressões.


Cerveja: Rodenbach Grand Cru
Apresentação: Garrafa 330ml.
Tipo: Flanders Red Ale
Álcool: 6%
Cor: Rubi, tons avermelhados, brilhante.
Espuma: Boa formação, queda lenta, duradoura.
Aroma: Fortes características de vinho, Acidez, madeira, Frutado (Maça verde, uva, cereja?).
Paladar: Médio corpo, azeda, ácida, malte, maça verde, leves notas adocicadas no início, muito carbonatada, sensação residual seca, adstringente, porém há uma pitada de doçura no finalzinho que é bastante agradável. Conforme a temperatura aumenta e perde-se gás o azedo diminui e as notas doces se destacam um pouco mais, deixando seu drinkability mais “fácil”.
Comentário: Excelente cerveja, parece que você está tomando um vinho. Sua alta carbonatação poderia ser menor, pois aliada a forte acidez e com as características azedas torna a cerveja um pouco mais difícil, com certeza desagrada a muitos, mas como falar que é ruim? É cerveja, não dá.
Torno a repetir as palavras do saudoso Michael Jackson: “-...procuro as qualidades escondidas em todas as cervejas, se julgasse uma cerveja exclusivamente pelos seus defeitos e impressões ruins nunca tomaria a melhor cerveja, e sim a menos pior...”.
Valeu Michael, e que este seja o dilema de todos os cervejeiros neste ano que começa.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Opinião

O mercado cervejeiro nacional demonstra que ainda teremos uma cultura consistente e muito forte no Brasil, assim como em países mais tradicionais: Bélgica, Alemanha, Inglaterra ou até mesmo os EUA que mostra claramente um infinito entusiasmo com o nobre líquido. Acredito no Brasil devido as pessoas que estão dentro e outras que estão entrando no mundo da cerveja, demonstrando grande amor e seriedade, porém esta cultura no Brasil vai demorar quanto tempo para se solidificar?

Em diversas oportunidades conversei com pessoas que trabalham e estão envolvidas direta ou indiretamente no setor, dos diversos estados Brasileiros, infelizmente há como dividir estes estados pelo desempenho e união na hora de levar educação cervejeira ao consumidor, fortalecendo muito o mercado regional e conseqüentemente o nacional.

Posso começar relatando o fato que as microcervejarias de determinada região mal se conhecem, pouco conversam, são extremamente concorrentes, óbvio que a concorrência tem que existir porém de forma sadia, e ficam brigando literalmente por migalhas, dado o número “ainda” pequeno de fiéis consumidores das cervejas produzidas por microcervejarias. Quem perde com isso? Todos nós, pois temos daí um mercado na qual o foco é o concorrente e não o consumidor, que levaria informação adiante e conseqüentemente uma proliferação da educação cervejeira, a própria cervejaria perde tendo pouco giro dos produtos, trabalhando apenas com produtos padrões (Pilsen e “Escura”) o famoso Arroz com Feijão, e a própria Cultura Cervejeira Nacional perde, pois atrasa ainda mais o fortalecimento da mesma.

Em comparação temos Estados trilhando caminhos muito consistentes neste sentindo, visualizaram que só juntos conseguirão trazer mais pessoas para este “lado da força” e que juntos irão conseguir mais benefícios, promovem diversos eventos ligados a cerveja, incentivam os cervejólogos, zitófilos, cervejeiros caseiros e afins, desenvolvem uma concorrência sadia, conversam entre si, reúnem-se com mais freqüência, naturalmente o estado se destaca e as cervejarias também, isso desperta a curiosidade do consumidor em conhecer o trabalho que está se desenvolvendo, assumindo este tipo de comprometimento sem dúvida facilita muito e provavelmente trará resultados, além do fato de levantar curiosidade de outras cervejarias em saber o que fazer para conseguir este destaque no mercado.

A resposta está ai!!! Enquanto se dispuserem única e exclusivamente em se preocupar com o vizinho, que ele é só concorrente e não pode ser parceiro, copiar o que ele está fazendo, ou achar que o consumidor é quem tem que bater a porta da cervejaria, assim as coisas realmente ficarão muito difíceis.

Porque não inovar? Então porque não juntar forças, reunindo todos em alguma das cervejarias e planejar uma ação conjunta, focada nos clientes, sem estimulo os habituais clientes das cervejas industriais não exitarão em continuar tomando suas garrafas pelo valor X ao invés de tomar um copo de chopp pelo valor Y. Informar-se mais sobre a cerveja no mundo, manter atualização constante, existem muitas fontes para pesquisa, aprender que a cervejaria além de ser um negócio é preciso gostar de cerveja, é necessário conhecimento, muitos locais ainda acham que no Brasil só o Pilsen vende e produzem três, quatro estilos de “Pilsen”.

O mercado artesanal cresce de maneira expressiva, entretanto os estilos de cervejas produzidos ainda no Brasil são insignificantes, o famoso arroz e feijão já está saturado no mercado, as pessoas gostam de degustar uma boa Pilsen, um bom bock ou dunkel, isso dando nome as cervejas oferecidas como “escuras” ainda em muitas microcervejarias, é dentro de casa que devemos demonstrar credibilidade, fazer a lição de casa, mas a saturação destes poucos estilos é fato, claro que “ainda’ nenhuma cervejaria no Brasil consegue se manter apenas com cervejas especiais, mas os consumidores em potencial precisam de incentivo. Um exemplo ruim disto são cervejeiros ou turistas rodarem quase 300km. para chegar em uma, duas, três cervejarias e tomar o chopp “claro ou escuro”, alguns ainda sem personalidade alguma. É preciso evoluir, arriscar, colocar na reta, pois quem está conseguindo solidificar a identidade cervejeira brasileira são os Homebrews, que a cada ano surpreendem e não param de reinventar estilos, vide o recente prêmio da Demoiselle, a Cerveja Tcheca, Moçambique. Quando é lançado algum estilo diferenciado por uma microcervejaria disposta a inovar, o sucesso é certo, todos querem tomar, comprar e o nome da cervejaria tem uma mídia espontânea imensa. Porque não se aproveitar disto?

O custo para produzir uma cerveja diferenciada é maior, entretanto o retorno a médio prazo é sólido e será gratificante, a Eisenbahn chegou aonde chegou por que? Produziu no Brasil a quatro anos atrás uma Weizenbock, lançou depois uma cerveja estilo Rauchbier, estilo que poucas pessoas conheciam, inovou, meteu a cara a tapa, a Colorado trilha o mesmo caminho, a Bamberg, a Falke bier, a Schmitt, e mais algumas poucas cervejarias estão dispostas a isso.
O brasileiro gosta do Arroz com feijão, porém uma macarronada ou uma pizza de vez em quando não vai nada mal, é super pertinente comentar sobre o slogan de uma microcervejaria americana que se encaixa perfeitamente neste momento: “Quatro ingredientes, infinitas possibilidades”, pronto esta ai uma resposta.

A burocracia brasileira é a pior barreira das microcervejarias, sempre favorecendo quem tem dinheiro, travando projetos de apoio a este mercado, exemplo foi não permitirem determinada cervejaria de produzir uma Wit bier comercialmente, devido a casca de laranja na receita, não poderia ter, porém a mais famosa Wit bier do mundo pode ser importada, o argumento do ministério foi que ela não é produzida aqui, daí pode?
Mesmo diante disto tudo acredito cada vez mais na cultura cervejeira brasileira e digo só uma coisa, pelo menos nós brasileiros não vamos desistir nunca.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Entrevista com Dudu Toledo da Nacional FT

O economista Luís Fabiani morou 3 anos nos Estados Unidos, conviveu com cervejeiros caseiros e acabou se apaixonando pelo assunto, estudou detalhadamente todo o processo para fabricação de cervejas caseiras.
De volta ao Brasil, começou a produzir cerveja em casa. Apresentou suas cervejas ao amigo que trabalha com computação gráfica Dudu Toledo que as degustava e sempre pedia mais. Resolveram em 2006 montar uma microcervejaria para colocar em prática as receitas caseiras de sucesso. Tiveram a sorte de conhecer Elvis, cervejeiro de primeira e já com experiência em produção.
Com um grande time já formado, ainda acolheram um químico, o bem humorado Deli Miranda que entende de limpeza como ninguém.
Pronto! Equipe cervejeira de primeira linha e que ainda conta com a gerente geral Fernanda Toledo para por ordem na casa.
Está é a MICROCERVEJARIA NACIONAL FT, que produz cervejas diferenciadas para um público "ainda" diferenciado, dentro do município de São Paulo é a única que produz cervejas comercialmente diferenciadas e com qualidade, poucos lugares comercializam os três estilos produzidos, estes foram escolhidos ao acaso, claro que se alguém tiver interesse em comercializar, eles podem produzir uma cerveja exclusiva para o estabelecimento, nada que uma boa conversa não resolva. Abaixo uma entrevista com o Dudu Toledo, que junto ao Luiz Fabiani e o Toni, estiveram em Santa Catarina e por pouco não participaram do evento destrutivo ao estado, mas a conversa aconteceu e degustem a sem moderação.


oBIERcevando - Quando vocês se reuniram e resolveram montar a Nacional FT?

Dudu Toledo
- Aprimoramos a idéia durante o 2ºsemestre de 2006. Abrimos o galpão em março de 2007.


oBIERcevando - Alías o qual o significado do nome Nacional FT?

DT
- Nacional por valorizar um produto artesanal brasileiro. FT são iniciais dos nossos sobrenomes: Fabiani e Toledo.


oBIERcevando - Em um mercado com tantas barreiras para a cerveja diferenciada e produções em menor quantidade, o que a Nacional FT veio mostrar?

DT - Procuramos criar receitas realmente diferentes, como a Van Eyck por exemplo, utilizando o levedo belga, ninguém faz uma cerveja assim aqui em São Paulo. Queremos começar a educar o paladar para cervejas diferentes, pois poucas pessoas conhecem.


oBIERcevando - O negócio de cervejas exclusivas para bares e restaurantes, veio do acaso ou fazia parte do plano de negócio?

DT
- Já fazia parte, foi o jeito que achamos de começar a fazer em pequena escala e divulgar nossas receitas para amigos e conhecidos.


oBIERcevando - Podemos dizer que é uma vantagem competitiva esta forma de negócio, cervejas exclusivas?

DT
- Creio que não, foi uma maneira de viabilizar o início de um negócio de produção em pequena escala.


oBIERcevando - As receitas (estilos) das cervejas, é a Nacional FT que oferece ou o estabelecimento que quer comercializar a cerveja já vem com a proposta?

DT
- É a Nacional que oferece e o estabelecimento ajuda a afinar a receita.


oBIERcevando - Qual estilo de cerveja a Nacional FT irá fazer ainda? Teremos alguma novidade?

DT
- Como somos muito pequenos, queremos testar inúmeras receitas de estilos diferentes.
Por enquanto, a idéia é comercializar apenas essas 3 receitas já existentes e testando novas internamente.


oBIERcevando - É previsto o aumento na capacidade de produção e um produto engarrafado? A longo ou médio prazo?

DT
- Engarrafado a longo prazo. Aumento de produção vai depender do rumo que vamos tomar.


oBIERcevando - O que é necessário em sua opinião para baixar o preço das cervejas produzidas em pequenas escalas?

DT
- O Problema é o custo elevado da matéria prima importada, e talvez se os bares diminuirem a margem.


oBIERcevando - Quais cervejas e locais comercializam os produtos da Nacional FT hoje?

DT
: São três estilos em quatro locais:
Drakes Ale – Drakes Bar e Pub;
Van Eyck Belgian Strong Ale – Bar Santa Madalena;
Lolita Pilsen – Pizzaria Ivitelloni e Clube Berlin.


oBIERcevando - Qual seria seu pedido se ao esfregar uma garrafa de cerveja e um "Gênio Cervejeiro" lhe concedesse um?

DT - Menos burocracia para conseguir os registros, leis e impostos diferenciados para incentivar e facilitar a vida do pequeno produtor.


oBIERcevando - E esta viagem a Santa Catarina, trouxe mais conhecimento cervejeiro?
DT - Muito. Principalmente nos modelos de equipamentos, tipo de piso, disposição, estrutura, metodologia de produção.


oBIERcevando - A pergunta de praxe, qual cerveja que realmente goste, além da Nacional FT, gostaria de estar tomando agora?

DT -
Putz, ontem tomei uma Delirium Christmas, uma edição especial de natal que uma amiga trouxe da Bélgica com 10% de alcool, maravilhosa!!!!!!

Mais informações: Microcervejaria Nacional FT