Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

II Encontros de Blogs Cervejeiros

No dia 24 de Junho os trabalhos começaram cedo, na parte da tarde teríamos a Brasil Brau para ir, então combinamos o horário do almoço para realizar um II Encontro de blogs, o primeiro foi realizado em Março de 2007 no Drake’s, nesta primeira edição estavam Edu Passarelli, Roberto Fonseca e Ricardo Amorim.

Nesta segunda edição fui convidado a participar junto dos três nobre companheiros, o local desta vez foi a casa do Edu Passarelli, que preparou um ótimo almoço, a conversa girou em torno do mercado de cervejas, muitas idéias, novidades e curiosidades foram trocadas, e para molhar as palavras, começamos os trabalhos com a Black Sheep Bitter, em seguida partimos para um protótipo da Colorado, a Double Indica, que recebeu uma carga maior de lúpulo em sua composição, depois degustamos a excelente Monasterium.

Servido o almoço, um delicioso risoto de funghi com filé mignon suíno na cerveja, a grande estrela do dia seria servida, uma Chimay Grand Reserve 2003, estava excelente, ótima cor, corpo, aroma remetendo a frutas escuras, vinho do porto, levemente licorosa, perfeita, e por sorte também tenho uma guardada. Esperamos que os próximos encontros não sejam tão distantes um do outro e com novos companheiros que lutam para uma cultura cervejeira melhor no Brasil, que venha o próximo

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Brasil Brau 2009

Infelizmente é notável a minha ausência neste blog cervejeiro, apesar da falta de atualizações, assuntos não faltam, estas ultimas semanas estive em São Paulo, onde ocorreram diversos eventos relacionados a cultura cervejeira e adianto que foram vários, foi possível perceber em outros blogs esta movimentação e nas minhas ultimas duas postagens.

Hoje especificamente vou falar da Brasil Brau que é uma Feira Internacional de Tecnologia em cerveja, esta talvez seja o maior encontro nacional de negócios da área, promovendo todo o setor cervejeiro brasileiro.A feira contou com empresas e instituições de renome mundial, cervejarias e cervejeiros caseiros que ainda não tem renome mundial, mas que receberam elogios de suas cervejas de personalidades mundiais, isso só reforça o bom trabalho que vem sendo desenvolvido no Brasil.

A feira aconteceu entre os dias 23, 24 e 25 no Shopping Frei Caneca em São Paulo, contou com mais de 100 expositores, proporcionou excelentes oportunidades de relacionamentos, estavam presentes profissionais técnicos, formadores de opinião, cervejarias, entusiastas, jornalistas, etc.
A feira foi basicamente dividida em dois módulos, área técnica que contava com expositores diversos, apresentando produtos voltados a produção de cerveja, o outro módulo foi denominado “Degusta Beer’ com diversas microcervejarias do Brasil, praticamente todas as Acervas e uma agradável novidade, um stand da Associação dos plantadores de lúpulo dos EUA trazendo alguns bons exemplares americanos.

A parte técnica contou com diversos produtores dos mais variados segmentos, da Cooperativa Agrária a Etscheid - fabricante de equipamentos em aço inox para o processo de produção de cerveja, empresas que desenvolvem produtos químicos para produção cervejeira, a Dragon Bier com ótimos equipamentos para cervejeiros caseiros, micro cervejarias, etc. Uma parte muito rica que demonstrou a evolução nos processos cervejeiros.

Novidades
As cervejarias apostaram na feira e levaram diversas novidades, a Colorado lançou oficialmente sua Imperial Stout, a Cervejaria Schornstein também apostou e levou suas duas novas crias uma Imperial Stout e uma Weiss, falando em cerveja de trigo quem deu o pontapé inicial na feira foi a Cervejaria Fraga que levou uma excelente weissbier, aproveitando o embalo a Falke Bier levou outra Weiss bier muito boa, os visitantes também puderam ver as novas garrafas da Cervejaria Bierland de Blumenau que começará a engarrafar seus produtos em breve. De Curitiba foi apresentada diretamente das profundezas a Cerveja Diabólica, uma IPA muito interessante e que farei um post a parte.

A importadora Import Beer de Porto Alegre adiantou que em breve trará a Pilsen Urquel a preços mais acessíveis, ótima notícia. A Cervejaria abadessa começara a disponibilizar inicialmente sua Slava Pilsen e a Export em São Paulo através de garrafas. Em Taboão da Serra em São Paulo foi aberta a Eikbier que esteve presente na feira com suas quatro cervejas.

Interessante também foi notar o aparecimento de novas micro cervejarias pelo Brasil, como o Chopp Kremer que fica em Morungaba, apesar do chopp “claro” ser leve demais e o chopp “escuro” adocicado é mais uma opção no interior de São Paulo. Do Paraná veio a Klein Bier, que fica em Campo Largo, tinham uma pilsen “leve”, uma pilsen “tcheca” e uma stout servida com nitrogênio, e segundo a agência de notícias Ibob, em Sorocaba deverá ser inaugurada até setembro a Burgman Beer, com receitas produzidas pelo mestre-cervejeiro Reynaldo Fagnolli, da Cervejaria Universitária, de Campinas.

Encontros
A feira proporcionou encontros memoráveis, muitas pessoas da cultura cervejeira nacional presentes, os americanos da Associação de plantadores de lúpulo, com todo seu Know how sobre o mercado cervejeiro estavam lá dividindo as atenções com todos presentes. Estavam blogueiros, cervejeiros caseiros, entusiastas, produtores, mestres-cervejeiros, pessoas que durante os três dias da feira trocaram muita informação, colocaram muita conversa em dia. Me limitei a não colocar o nome das tantas pessoas importantes que encontrei para não cometer a indelicadeza de não citar alguém, mas sem dúvida foram três ótimos dias. Ficamos a espera da próxima feira em 2011, acredito que a próxima estará ainda melhor, pois o mercado nacional crescerá, sem dúvida.



No ultimo dia da feira foi realizado a Edição Brasil Brau do Extra Malte, que luta por um mundo cervejeiro melhor, ele normalmente acontece em Porto alegre na segunda Segunda-Feira do mês no Studio Clio, o curador deste bate papo é o Burgomestre Sady Homrich, o tema deste bate papo foi a "liberdade cervejeira" - quem participou desta conversa foram os participantes da ACERVA - Associação dos Cervejeiros Artesanais (RS, SC, MG e SP) e também um convidado ilustre: o escritor, design e especialista em cervejas Randy Mosher. Da esquerda para direita: Marco Zimmermann (SC); Henrique Oliveira (MG); Philip Zanello (SP); Leonardo Sewald (RS); Randy Moscher (EUA) e Sady Homrich.

A Chopeiras Memo de Ribeirão Preto também estava presente, seu stand apresentava bicas de chopp que deixavam qualquer marmanjo com vontade de ter uma na área de churrasco, além claro, de diversos equipamentos voltados para o setor cervejeiro, como chopeiras, barris, etc.



A Cristaleria Ruvolo tinha um stand forrado de copos, das mais variadas cervejas e cervejarias do Brasil, eu que sou um colecionador, quase tive um ataque ali, porém me contive e bati um papo com o Tenisson Ruvolo que adiantou a crescente necessidade por copos diferenciados no mercado e por isso a Ruvolo em breve lançará uma nova linha de copos para cerveja, fato que demonstra o crescimento por novidades no mercado, esperamos ansiosos por estas novidades.



A Profil trouxe ao mercado brasileiro uma boa novidade, está importando lúpulos eslovenos que agregam bastante qualidade a cerveja, diversas cervejarias mundiais utilizam os lúpulos eslovenos e com esta grande oportunidade disponibilizada pela Propil aumenta ainda mais a oferta do "tempero" da cerveja. Interessados em conhecer os lúpulos e serviços prestados pela profil podem entrar em contato através do site.


A Ceramarte é conhecida internacionalmente, um de seus principais produtos é a bela embalagem que representa uma tina de fervura, que é produzida exclusivamente para a cervejaria americana Samuel Adams, o mercado interno começou a utilizar os produtos da empresa, diversos Biersiphon's, uma garrafa de 2 litros retornável para encher com chopp, são feitos para microcervejarias, além de garrafas em cerâmicas exclusivas como a da Baden Baden Tripel. Segundo Claudio Rank que trabalha na área comercial da empresa, existem diversas formas de explorar os produtos da Ceramarte, o setor cervejeiro tende a crescer cada vez mais no Brasil e a Cermarte tem como contribuir com isso.


A Cooperativa Agrária é uma das únicas empresas que está presente desde a primeira edição, a empresa esta realizando a ampliação da Agromalte. Com recursos vindos de bancos e da própria cooperativa o projeto de ampliação irá "consumir" cerca de R$ 164 milhões e visa aumentar a capacidade de produção das atuais 140 mil toneladas/ano para 220 mil toneladas/ano, isso demonstra o crescimento do mercado no Brasil, no ano passado a Agromalte já havia diminuido a quantidade de suas sacas de malte, atendendo uma nova demanda do mercado, a dos cervejeiros caseiros, mas ainda existe muita coisa a ser feita, e a empresa está disposta a isso.


Mais uma fabricante de equipamentos para cervejaria a Etscheid Techno levou uma "cozinha" para a feira e demonstrou ótimas opções para fomentar ainda mais o mercado.



A Constantia Labels produz diversos tipos de rótulos, para cervejarias de todo o mundo, além de rótulos trabalham com a famosa "gravata" que é fixada no gargalo das garrafas e também com cápsulas que cobrem a tampa da garrafa e vão até o gargalo, com diversas cores e modelos, isso proprociona uma melhor apresentação do produto, agregando valor a ele. O interessante é a possibilidade de fixar esta cápsula com as mãos, mantendo a proposta artesanal do produto e servindo até mesmo para cervejeiros caseiros incrementar suas produções, claro que há também máquinas para aplicação, ficando uma opção para adicionar mais detalhes em suas cervejas.

A Cervejaria Bruge que fica em Águas de Lindóia interior de São Paulo esteve presente na feira pela primeira vez e trouxe três de seus quatro estilos de cerveja, a Stout, Golden Ale e a recém lançada Weiss, a única que não estava disponível era a Bitter Ale, já tive a oportunidade de fazer uma entrevista com proprietário Eduardo Arantes aqui, desta vez ele adiantou que a fábrica passou por uma reforma e ampliou sua capacidade de produção, inclusive disponibilizando um espaço para degustação, fica a dica de visitação.


A Associação Americana de Plantadores de Lúpulo esteve presente na feira, veio para demonstrar o quanto este ingrediente é bem cultivado nos EUA. Para ilustrar tudo isso eles disponibilizaram no stand cervejas americanas que utilizam de forma majestosa o ingrediente, a prestigiada Colorado Indica está neste time pois utiliza lúpulos americanos, nada mais justo do que disponibiliza-la no stand. O mestre cervejeiro da Cervejaria Firestone estava presente, a cerveja que mais se destacou no meu paladar foi a 5 Barrel Pale Ale da Cervejaria Odell Brewing Company, a garrafa que está no centro, tinha um perfume floral, citrico alucinante, seu paladar tinha o mesmo peso, citrico, fino amargor, equilibrado perfeitamente com malte e deixando uma sensação residual deliciosamente amarga, ficarei com saudades, mas depois ainda tivemos mais surpresas, que conto no próximo post.


A Importadora Import Beer tratou de se apresentar muito bem na feira, alguém conseguiria me dizer quais as marcas de cervejas que eles importam?
A novidade será no segundo semestre, quando a importadora começara a disponibilizar no mercado a Pilsen Urquel com preços mais convidativos, estamos esperando ansiosos por esta boa novidade. Alguém já conseguiu descobrir as cervejas que eles trabalham?


Foto: Divulgação

A Colorado disponibilizou em seu stand o chopp de sua nova criação, a Black Vintage Rapadura, uma Imperial Stout com 10,5% de álcool e muito corpo, a previsão é que em 30 dias a cerveja já esteja disponivel em alguns pontos de venda em garrafas de 600ml. Além dela puderam ser degustados o chopp Demoiselle e o chopp da Indica, realmente tornou-se uma parada obrigatória na feira.

O nobre José Felipe da Cervejaria Wäls e eu.


Está é a grande aposta da Cervejaria Bierland este ano, a cervejaria que fica em Blumenau está se preparando para começar a engarrafar seus produtos, o novo galpão já está em fase de acabamento junto a fábrica. Serão engarrafados os três estilos produzidos pela cervejaria, Pilsen, Weiss e seu excelente Bock, logo em seguida deverá entrar em linha também um Pale Ale, a cervejaria está na ativa desde 2003 e segue um padrão muito bom com seu chopp, acreditamos que isso se repita com as cervejas.


O amigo Sergio Fraga extraindo mais um chopp Weiss da sua recém inaugurada cervejaria, a Fraga, já conhecia as cervejas do Sérgio Homebrew e depois de degustar a Weiss da Fraga acredito muito no trabalho que será desenvolvido por ele e seus sócios, quando tiver oportunidade não exitarei em degusta-la novamente, além de ficar na expectativa de novos produtos.

Foto: Gustavo Epifanio

A Coruja estava presente pela primeira vez com stand e apresentou seu novo chopp Weiss além das tradicionais Coruja e e Extra-Viva. Para quem ainda não visitou, vale a pena visitar o site da Coruja aqui.

Foto: Gustavo Epifanio


No ultimo dia da feira o lúpulo em flor que a Associação dos Plantadores de Lúpulo Americanos tinha trazido foi "distribuido" e foi justamente cair na mão de alguns Lupulomaníacos de plantão que fizeram um "dry hop" na hora, o que posso dizer é que ficou muito bom.

Os nobres guerreiros cervejeiros presentes na feira, de pé Ricardo Amorim (blog Cerveja Só);depois o Erasmo da Cold Mix; Marcos O. Junior (Homebrew de Blumenau); Feijão; Eduardo (Sócio da Bierland); João Becker com sua excelente Rugbeer O'Driscoll Ginger Ale; Marcelo Moss do Bar Hops e ex-sócio da Cervejaria Baden Baden, abaixados estão Alberto da Cold Mix e Mauro Nogueira da Acerva Carioca.


A recém inaugurada Cervejaria Eikbier, que fica em Taboão da Serra perto de São Paulo, estava presente com seus quatro estilos: Red Ale, Porter, Weiss e Golden Ale.


Visão geral de um dos corredores da feira, é perceptível o sucesso da feira, que venha 2011.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Eisenbahn Joinville Porter



Como adiantado neste blog, os vencedores do II Concurso Mestre Cervejeiro da Eisenbahn Ivan e Diogo de Joinville foram até a fábrica da Eisenbahn em Blumenau produzir a Robust Porter criada por eles, na oportunidade fiz uma entrevista com os dois, que pode ser conferida aqui.

Quando estive em São Paulo, fui convidado pelo amigo Roberto Fonseca do B.O.B para degustar com exclusividade a nova cerveja da Eisenbahn, juntou se a nós o caro amigo Edu Passarelli no Bar Anibal que fica no bairro da Pompéia em SP.


A cerveja está acondicionada na mesma garrafa que foi comercializada a Dama do Lago ano passado, a arte do rótulo também é parecida porém com cor diferente, a cerveja se apresentou de forma satisfatória com apenas uma ressalva, ao abrirmos a rolha apresentava alguns sinais de mofo, detalhe que pode interferir na cerveja, mas acredito se tratar de um caso isolado. Abaixo segue impressões sobre a cerveja.


Cerveja: Eisenbahn Joinville Porter
Apresentação: Garrafa 375ml c/ rolha.
Tipo: Robust Porter
Álcool: 5,6%
Cor: Escura, preta, brilhante.
Espuma: Boa formação, média duração.
Aroma: Malte torrado leve, doce, toffe.
Paladar: Bom corpo, ligeira torrefação, notas doces, chocolate, notas de lúpulo, média carbonatação, sensação residual com notas torradas e ligeiramente doce.
Comentário: A cerveja apresenta bom drinkability, o Ivan e o Diogo possuem um exemplar que enviaram para o concurso, será super importante fazer esta "comparação". Creio que a cerveja poderia ter um pouco mais destacado a torrefação criando uma bela harmonia com as notas de toffe e chocolate encontradas.

Em tempo: Será que este é foi o ultimo concurso Mestre Cervejeiro da Eisenbahn? Os rumores já existem...

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Pilsen Urquell


Semana passada aconteceu a semana da República Theca na Forneria Melograno do caro Edu Passarelli, os eventos foram divididos em três dias, pude participar apenas no segundo evento, dia 18/06 que contava com duas palestra.


O theco Radim kovacs fazendo um brinde com a Pilsen Urquell

Um dos palestrantes foi Radim Kovacs que tratou sobre o desenvolvimento do mercado cervejeiro na República Theca, aproveitei e perguntei a ele que apesar de todo o contexto histórico que a República Theca tem com a cerveja - criou um dos estilos mais difundidos no mundo, o Pilsen - se as cervejarias não variam, não produzem novos estilos e se este renascimento que está ocorrendo também naquele país, as micros iriam trazer essas novidades. Ele foi bem enfático na resposta ao dizer que o pais, que possui o maior consumo de cerveja per/capita por habitante, é fanático por suas tradicionais Pilsen e as Dark lagers, ele disse que já foi feita tentativa de novas receitas porém não tiveram aceitação, mas só o fato de existir excelente produção de Pilsen com tradição e qualidade, supera qualquer falta de estilos.


O senhor de barba branca ao fundo é o theco Milan Ballik a frente tinha é uma pessoa do consulado theco traduzindo.

Já o outro palestrante, Milan Ballik, falou um pouco da história da cerveja na República Theca, dando detalhes da tradição que perpetua até hoje nas "bodegas", ou os botecos que existem a séculos por lá, uma aula de como a cerveja carrega muita tradição.
Para brindar todo este bate papo rico em informações e conhecimento foram servidas as cervejas: 1745, Starobrno, Primator e Czechvar, e para fechar com chave de outro, foi servido com exclusivade no Brasil a desejada Pilsen Urquell em barril, uma experiência impar e coloco minhas impressões abaixo:


Cerveja: Pilsen Ürquell
Apresentação: Chopp
Tipo: Pilsen
Álcool: 4,8%
Cor: Dourado intenso, limpa, brilhante.
Espuma: Ótima formação, duradoura, formando "redes" no copo.
Aroma: Malte, cereais, pão, leve lúpulo.
Paladar: Ótimo corpo, agradável dulçor no inicio, depois uma dose fina de lúpulo domina o paladar, deixando o final com delicioso amargor, porém é uma cerveja muito equilibrada entre dulçor do malte e amargor do lúpulo.
Comentário: O drinkability desta cerveja é muito alto, nunca uma cerveja como esta deixaria uma pessoa traumatizada pelo "amargor' ou por ser forte, longe disso, ela é discreta porém com personalidade forte. Fica dificil entender porque não produzir uma cerveja como esta, medo da aceitação?

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Ultimo Gole Extra - Imperial Stout da Schornstein

Fachada do Restaurante Magnani em Timbó.

Ontem a cultura cervejeira nacional ganhou mais uma representante. Fui convidado pela Cervejaria Schornstein para o lançamento de seu novo produto, que nasceu de mais uma parceria entre cervejaria e Homebrew, fato que já é uma realidade no Brasil com ótimo resultados, como a Demoiselle (Colorado e Ricardo Rosa), a Dama do Lago (Eisenbahn e Botto), Dado Bier Double Chocolate Stout (Dado Bier, Ricardo Rosa e Mauro Nogueira) e a Joinville Porter (Eisenbahn, Diogo e Ivan), estes são exemplos de como estamos evoluindo na proposta de diferenciação, produtos novos com personalidade.

Sobre o produto, trata-se de uma Imperial Stout, que foi feita através da parceria entre Cervejaria Schornstein e Raphael Tonera de Florianópolis, que já teve ótimas classificações nos concursos nacionais, inclusive com um primeiro lugar ano passado na categoria Belgian Beer do III Concurso Nacional de Cervejas Artesanais da Acerva, esta união já estava sendo estudada a algum tempo, agora após algumas pesquisas lançam oficialmente o produto. Inicialmente será levado a alguns eventos para degustação como a Brasil Brau por exemplo, após esta primeira fase, será então engarrafado com priming e colocado a venda.

O lançamento ocorreu no Restaurante Magnani, na cidade de Timbó, a 35 Km de Blumenau, particularmente não conhecia o restaurante e fiquei surpreendido pela boa opção de pratos e a variada carta de cervejas, tudo isso com preços acessíveis, vale a pena conhecer o local.

Imperial Stout

Sobre a cerveja, trata-se de uma Russian Imperial Stout que levou seis tipos de malte e dois de lúpulo em sua composição, seu teor alcoólico chegou a 8%, com espuma levemente escura, a cor é intensamente escura com notas vermelhas, no aroma apresenta leve dulçor, chocolate, lúpulo e notas de torrefação, o paladar traz ótimo corpo, média carbonatação, agradável dulçor, torrefação, picante, álcool e o final é seco.

Foie Gros com purê de pêra e redução de balsâmico com a Imperial Stout.


Os pratos para harmonizar foram preparados pelo chef Leandro Magnani que foi muito feliz nas escolhas, para entrada foi servido um Foie Gros com purê de pêra e redução de balsâmico, o prato tinha textura leve, perfeitamente temperado, apresentava certa gordura no paladar, a cerveja harmonizou muito bem, pois além de quebrar um pouco a doçura do purê, o álcool aliviava o paladar com as fortes impressões geradas pela harmonização, ao final o paladar ficava limpo, como se toda garfada fosse a primeira.

Coxa de pato em confit com salsa de manga e aroma de curry com a Imperial Stout.


O segundo prato foi Coxa de pato em confit com salsa de manga e aroma de curry, este prato estava sensacional, a carne estava harmoniosamente condimentada, o molho trazia doçura, a cerveja ficou perfeita junto ao prato, a cerveja acrescentou calor ao prato, trazia um leve picante, a pele da coxa estava levemente torrada – crocante – e com a torrefação da cerveja ficou muito bom, a salsa de manga pedia que algo quebrasse seu dulçor e a cerveja fazia isto muito bem, o prato parece que deixou a cerveja com características mais amargas e torradas, muito bom.

Semifredo de nutella com coco e a Imperial Stout.


O terceiro prato foi Semifredo de nutella com coco, neste prato a cerveja acabou se sobressaindo um pouco, não muito, a textura do prato casou bem com a cerveja, e ambos continham dulçor, torrado, leve acidez, uma rica experiência.
Mais uma vez a cultura cervejeira no Brasil cresce, com novos produtos e ótimas parcerias entre Cervejeiros Caseiros e Cervejarias




Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Estamos criando Monstros?

É fato que hoje o brasileiro começou a adquirir conhecimento sobre cerveja, sua história é muita rica, possui muitas características e variados estilos. Antes da compra de pequenas cervejarias pelas grandes cervejarias no passado, como a Serramalte do RS, a Caracu do interior de São Paulo, e até mesmo hoje estas aquisições “estratégicas” criaram um mercado sonolento, pouca coisa acontecendo e as indústrias com pouca preocupação em inovar.
Porém a responsabilidade deste mercado atual não é somente das indústrias, o consumidor brasileiro também “dormiu” na onda das aquisições, falo do grande público consumidor que se tornou um “gigante adormecido”.


O mercado saiu da sonolência com as inovadoras micro cervejarias que apareceram, a onda da cerveja artesanal invadiu os lares de todo o Brasil e o gigante adormecido também acordou, o interesse pelo público aumentou, foram surgindo cada vez mais produtos, algum mais populares entretanto com maior personalidade frente as sonolentas cervejas dispostas nos mercados e nisto o público começou a se interessar mais sobre o liquido, descobriu que existe diferença nas produções, existem cores diferentes, existem sabores distintos.


Com o despertar deste gigante adormecido surgiu um novo mercado, porém quase não se tinha informação sobre cervejas, as poucas informações que “surgiam” geralmente não eram 100% corretas e mesmo assim este novo público cervejeiro ficou “sofisticado”, quantas vezes se ouviu falar que estavam regando a planta com a cerveja que bebiam a três meses atrás, a partir daquele momento tudo que não fosse daquele padrão para cima era ruim.


É fato que nosso paladar fica mais apurado conforme vamos aprendendo e degustando novos produtos, vou citar um exemplo: determinada micro cervejaria brasileira que produz ótimas cervejas, inclusive com conquistas de medalhas em competições internacionais, é analisada com freqüência pelo paladar apurado destes novos “experts” no assunto, que constantemente afirmam veemente que o produto mudou e que nunca mais foi o mesmo.
Òbvio que não irei colocar minha mão no fogo por ninguém, mas o fato é que não podemos esquecer nossa evolução, nosso paladar fica apurado, o que foi novidade em paladar na primeira vez que tomou o produto X pode não ser mais depois da sétima ou oitava vez, pode ser menos intensa, então temos a impressão que aquela sensação hipnotizante da primeira vez não existe mais porque mudou a receita, mas na verdade o paladar evoluiu e começou a se acostumar com boas cervejas, outro ponto é que duas cervejas do mesmo estilo podem ser muito diferentes uma da outra e não que isso seja ruim, claro que não, porém não é produtivo falar que uma é boa outra é ruim, cada uma tem sua particularidade.


O paladar de cada um interfere muito neste tipo de avaliação, interferindo no trabalho da cervejaria que após muito tempo de trabalho e pesquisa tem sua marca e seus produtos “queimados” pois os experts afirmam que o produto é ruim, sendo que na realidade não agradou ao gosto pessoal, conseqüentemente saem falando que Cerveja X é uma porcaria.


O interessante é quando acompanhamos a cultura cervejeira de outros países, há um extremo cuidado por parte das pessoas que divulgam a cerveja em fazer comentários construtivos, isto faz com que o mercado evolua de forma consistente, pois quando há um produto fora de padrão, a reclamação é feita diretamente ao fabricante, que geralmente capta estas informações e tenta melhorar seu produto, isso mantém a marca ilesa, o produto muda e melhora graças aos comentários de quem degustou e o mercado tem cada vez melhores opções. Do que adianta apedrejar publicamente determinado produto, queimar uma marca, um trabalho, por mais que este ainda não esteja sendo feito perfeitamente? Muitas empresas fazem questão de ouvir seu consumidor, porque não criamos este hábito com a cerveja?

Hoje é corriqueiro ver o apedrejamento de diversas marcas ou estilos por cervejeiros que saíram da quantidade para qualidade, nós ainda estamos “crescendo” no aprendizado sobre cervejas, não adianta precocemente nos acharmos os donos da razão.

Tenho as palavras do eterno Michael Jackson como referência e não irei cansar de repeti-las que são: “...procuro as qualidades escondidas em todas as cervejas, se julgasse uma cerveja exclusivamente pelos seus defeitos e impressões ruins nunca tomaria a melhor cerveja, e sim a menos pior...”. Porque não tomamos como referência estas palavras, parar de falar mal de cerveja, claro que ninguém deve e nem conseguira gostar de todas, mas deixe claro que o seu paladar pessoal não gostou, tente identificar alguma característica da cerveja que agrade, alguma percepção tem que ser aproveitada seja ela boa ou ruim, nosso caminho com cerveja ainda é longo no Brasil e temos que cada vez mais aprender a gostar de cerveja.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Workshop em Joinville da Acerva Catarinense

Neste ultimo final de semana ocorreu na Cidadela Cultural Antarctiva o Workshop Produção de Cerveja Artesanal na cidade de Joinville em Santa Catarina.

Mais um vez os organizadores Rubens e Selvino deram show, estava tudo perfeito, os participantes ao chegar se dirigiam até a recepção, ali era feita a confirmação da inscrição, recebiam crachá e uma sacola personalizada feita exclusivamente para o Workshop, na sacola tinha: apostila sobre a produção, uma camiseta do evento, folder da Brasil Ways com os produtos, folder dos produtos da WE além de outros materiais. A Brasil Ways, assim como a WE outra vez apóiam mais um evento cervejeiro, organizado pela Acerva Catarinense.
Foi a WE que gentilmente cedeu os insumos da batelada que foi produzida durante o curso e também da cerveja feita antes do concurso para ser degustada pelos participantes, pois a mesma receita que estava sendo produzida foi servida para que os participantes degustarem.
Na realidade a participação de todos os apoiadores: Opa Bier, WE Consultoria, Brasil Ways, MasterBraü e o município de Joinville foram fundamentais para o sucesso do evento, agradecemos desde já em acreditar nesta cultura que irá trazer ainda mais alegrias e boas cervejas a todos.

O evento como programado começou às 10:00 com a palestra do Ivan e Diogo da Gräbenwasser, eles falaram sobre todo o processo de preparo da cerveja, em outro local da “antiga” fábrica da Antarctica estava palestrando o Cláudio Zastrow, mestre cervejeiro da Cervejaria Schornstein, falava sobre os estilos que irão concorrer no próximo Concurso Nacional da Acerva em Outubro no RJ, nesta palestra participaram os mais experientes, ou seja, aqueles que já produzem a algum tempo, foi uma ótima troca de informações, experiências e conhecimentos mais aprofundados, muitos puderam discutir os detalhes de suas criações junto aos mestres-cervejeiros profissionais que estavam presentes, além do Cláudio, assistiu e participou da palestra o Werner Emmel, profissional formado em Weihenstephan, proprietário da WE Consultoria, esta palestra acabou virando um grande bate papo, muito rico em informações.


Logo após eu fiz a palestra: " A exploração e o consumo de cervejas especiais: despertando novos sabores e sensações“ para o pessoal que estava acompanhando a brassagem, foi muito interessante a conversa, foram abordados alguns temas como escolas cervejeiras mundiais, o cenário cervejeiro no Brasil, principais diferenças de cerveja Artesanal e cerveja Industrial, mercado de cervejas especiais, entretanto o principal ponto abordado foi de sugerir que as pessoas encontrem primeiro características interessante nas cervejas e não defeitos, vejo que muitas pessoas que estão aprendendo a degustar cerveja tem reclamado muito sobre vários produtos, a idéia foi em deixar claro que gosto é particular, não adianta falar que Cerveja X é ruim, pois com certeza ela agrada a outros, isso é a idéia para criamos uma cultura cervejeira sadia, foi bem legal a recepetividade de todos, muito obrigado!


Depois tivemos a palestra do cervejeiro da Opa Bier o Elmar, que falou sobre: “O processo de produção cervejeiro: as diferenças e semelhanças entre a microcervejaria e a produção caseira” que trouxe informações muito pertinentes sobre as principais diferenças entre produções (Homebrew x Microcervejaria ).

Durante o dia foi feita uma visitação “externa” as dependências da Cervejaria Antarctica guiada por um dos convidados mais ilustres do dia, o Sr. Curt Zastrow que trabalhou durante 35 anos na fábrica e tem memoráveis lembranças de todas as dependências, explicando cada detalhe da fábrica, uma volta ao passado e que fez pensar o porque do Brasil dispensar tanto sua cultura, edificações históricas caindo aos pedaços, uma grande fábrica de cerveja jogada ao relento, na antiga cozinha da fábrica houve diversos arrombamentos para roubar o cobre das panelas, encanamentos, etc. A visitação teve que ser externa pois algumas dependências ficam fechadas, durante as fortes chuvas no estado muitas partes do telhado desabaram por falta de cuidado, enfim, somente com a aula do Sr. Curt para compensar isso.


Em meio a isto tudo, a degustação das cervejas “testes” da Opa Bier, das cervejas produzidas pelos próprios cervejeiros presentes, foi uma aula de sabores e percepções, e o clima formado entre um local histórico no cenário cervejeiro nacional e a empolgação de todos em divulgar e fazer com que este mercado cresça cada vez mais foi perfeito, a Acerva Catarinense mais uma vez mostra seu potencial e a dedicação de seus membros. No mês de Agosto tem mais, o próximo Workshop será realizado em Florianópolis, com data e local a definir, conforme forem sendo definidos detalhes do evento passaremos mais informações, abaixo alguma fotos do Workshop em Joinville.

A recepção do evento, com barracas cedidas pela Opa Bier, na primeira tinha a venda souvenirs da Opa Bier, já na segunda barraca estavam as cervejas para serem degustadas no evento.


Enquanto o Ivan falava sobre o processo para os participantes, o Diogo ia fazendo o processo junto a panela.




Vista da "rua" principal na fábrica, no prédio maior, aonde há duas chaminés, ficava a cozinha da cervejaria, a outra chaminé de tijolinho a esquerda na foto, era das caldeiras.




Foto tirada pela janela do prédio onde demonstra o descaso com o patrimônio, a cozinha está completamente abandonada, uma pena, pois ela lembra muito as cervejarias européias, algumas ainda utilizam suas antigas cozinhas, outras conservaram e utilizam para museu da cervejaria, acorda município, proteja sua história.



Este humilde blogueiro com o respeitado Curt Zastrow, que durante 35 anos trabalhou na fábrica que foi realizado o evento, hoje ele ainda nos presenteia com sua produções pela Zehn Bier. Podemos dizer que este modesto senhor faz parte da história da cerveja no Brasil.



Outra foto que mostra o descaso com toda a fábrica, a cozinha foi diversas vezes furtada, levaram tudo o que podiam, mas o pior é que estão levando a história da cerveja no Brasil.



A alegria estampanda nos rostos dentro do "Expresso Acerva" que veio de Florianópolis, passou em Blumenau rumo a Joinville, claro que a famosa chopeira estava lá

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Malheur 12º

A Cervejaria De Landtsheer está localizada na pequena cidade de Buggenhout na Bélgica.
Produzindo cerveja no mesmo local que seu avô e bisavô, Manu Landtsheer criou uma bem sucedida e inovadora cervejaria em apenas nove anos, após assumir as rédeas.
A cervejaria produz a marca Malheur, que possui uma gama de excelentes cervejas, sua linha de cervejas “claras” são intituladas de: 6, 8 e 10, e uma cerveja “escura” que é a 12º. As cervejas possuem a mesma quantidade de álcool que os seus “títulos”. Apenas as flores “in natura” do lúpulo são utilizadas em seu preparo, as variedades são Hallertau, Saaz e Styrian. As cervejas são filtradas porém refermentadas na garrafa, trazendo certa “turbidez” as mesmas.

A De Landtsheer é também umas das únicas cervejarias a produzir cervejas pelo método champenoise, a Malheur Biére Brut, Malheur Dark Brut que é produzida a partir da Malheur 12º e a Malheur Cuvée Royale.

A cerveja Malheur 12° ano passado ganhou uma medalha de ouro no European Beer Star Award 2008 na categoria belga-Style Dubbel. Daí aparece a dúvida, uma cerveja com seus potentes 12% poderia concorrer na categoria Dubbel?

Sua embalagem discreta e reduzida passou por mudanças recentes, a embalagem que está na foto acima foi alterada, o rótulo mudou, a quantidade de 250ml. passou para 330ml, ainda bem, e alguns especialistas acham que o produto também mudou, mas diferente daqui, os “especialistas” dizem apenas a característica que encontraram de diferente, não reclamaram e muito menos criticaram a cervejaria, a mudança foi a leve diminuição no lúpulo, isso segundo degustadores belgas.
Infelizmente ainda não está disponível no Brasil, abaixo impressões:


Cerveja: Malheur 12º
Apresentação: Long Neck 250ml.
Tipo: Quadrupel??
Álcool: 12%
Cor: Castanho escuro, tons avermelhados, levemente turva, brilhante.
Espuma: Ótima formação, duradoura.
Aroma: Doce, notas torrefação, álcool, nozes, chocolate, complexo.
Paladar: Ótimo corpo, agradável dulçor, quente, picante, frutas escuras, álcool, notas levemente torradas, baixo amargor, licorosa, algum defumado, sensação residual amarga com toque picante do alcool.
Comentário: O drinkability desta cerveja é bastante elevado, ou melhor, perigosamente elevado, pois os 12% não são percebidos, gostaria de ter mais alguns exemplares para guardar durante alguns anos, deve ocorrer uma evolução muito boa, pois este agradável dulçor que possui tende a diminuir trazendo novas características.