
Em diversas oportunidades conversei com pessoas que trabalham e estão envolvidas direta ou indiretamente no setor, dos diversos estados Brasileiros, infelizmente há como dividir estes estados pelo desempenho e união na hora de levar educação cervejeira ao consumidor, fortalecendo muito o mercado regional e conseqüentemente o nacional.
Posso começar relatando o fato que as microcervejarias de determinada região mal se conhecem, pouco conversam, são extremamente concorrentes, óbvio que a concorrência tem que existir porém de forma sadia, e ficam brigando literalmente por migalhas, dado o número “ainda” pequeno de fiéis consumidores das cervejas produzidas por microcervejarias. Quem perde com isso? Todos nós, pois temos daí um mercado na qual o foco é o concorrente e não o consumidor, que levaria informação adiante e conseqüentemente uma proliferação da educação cervejeira, a própria cervejaria perde tendo pouco giro dos produtos, trabalhando apenas com produtos padrões (Pilsen e “Escura”) o famoso Arroz com Feijão, e a própria Cultura Cervejeira Nacional perde, pois atrasa ainda mais o fortalecimento da mesma.
Em comparação temos Estados trilhando caminhos muito consistentes neste sentindo, visualizaram que só juntos conseguirão trazer mais pessoas para este “lado da força” e que juntos irão conseguir mais benefícios, promovem diversos eventos ligados a cerveja, incentivam os cervejólogos, zitófilos, cervejeiros caseiros e afins, desenvolvem uma concorrência sadia, conversam entre si, reúnem-se com mais freqüência, naturalmente o estado se destaca e as cervejarias também, isso desperta a curiosidade do consumidor em conhecer o trabalho que está se desenvolvendo, assumindo este tipo de comprometimento sem dúvida facilita muito e provavelmente trará resultados, além do fato de levantar curiosidade de outras cervejarias em saber o que fazer para conseguir este destaque no mercado.
A resposta está ai!!! Enquanto se dispuserem única e exclusivamente em se preocupar com o vizinho, que ele é só concorrente e não pode ser parceiro, copiar o que ele está fazendo, ou achar que o consumidor é quem tem que bater a porta da cervejaria, assim as coisas realmente ficarão muito difíceis.
Porque não inovar? Então porque não juntar forças, reunindo todos em alguma das cervejarias e planejar uma ação conjunta, focada nos clientes, sem estimulo os habituais clientes das cervejas industriais não exitarão em continuar tomando suas garrafas pelo valor X ao invés de tomar um copo de chopp pelo valor Y. Informar-se mais sobre a cerveja no mundo, manter atualização constante, existem muitas fontes para pesquisa, aprender que a cervejaria além de ser um negócio é preciso gostar de cerveja, é necessário conhecimento, muitos locais ainda acham que no Brasil só o Pilsen vende e produzem três, quatro estilos de “Pilsen”.
O mercado artesanal cresce de maneira expressiva, entretanto os estilos de cervejas produzidos ainda no Brasil são insignificantes, o famoso arroz e feijão já está saturado no mercado, as pessoas gostam de degustar uma boa Pilsen, um bom bock ou dunkel, isso dando nome as cervejas oferecidas como “escuras” ainda em muitas microcervejarias, é dentro de casa que devemos demonstrar credibilidade, fazer a lição de casa, mas a saturação destes poucos estilos é fato, claro que “ainda’ nenhuma cervejaria no Brasil consegue se manter apenas com cervejas especiais, mas os consumidores em potencial precisam de incentivo. Um exemplo ruim disto são cervejeiros ou turistas rodarem quase 300km. para chegar em uma, duas, três cervejarias e tomar o chopp “claro ou escuro”, alguns ainda sem personalidade alguma. É preciso evoluir, arriscar, colocar na reta, pois quem está conseguindo solidificar a identidade cervejeira brasileira são os Homebrews, que a cada ano surpreendem e não param de reinventar estilos, vide o recente prêmio da Demoiselle, a Cerveja Tcheca, Moçambique. Quando é lançado algum estilo diferenciado por uma microcervejaria disposta a inovar, o sucesso é certo, todos querem tomar, comprar e o nome da cervejaria tem uma mídia espontânea imensa. Porque não se aproveitar disto?
O custo para produzir uma cerveja diferenciada é maior, entretanto o retorno a médio prazo é sólido e será gratificante, a Eisenbahn chegou aonde chegou por que? Produziu no Brasil a quatro anos atrás uma Weizenbock, lançou depois uma cerveja estilo Rauchbier, estilo que poucas pessoas conheciam, inovou, meteu a cara a tapa, a Colorado trilha o mesmo caminho, a Bamberg, a Falke bier, a Schmitt, e mais algumas poucas cervejarias estão dispostas a isso.
O brasileiro gosta do Arroz com feijão, porém uma macarronada ou uma pizza de vez em quando não vai nada mal, é super pertinente comentar sobre o slogan de uma microcervejaria americana que se encaixa perfeitamente neste momento: “Quatro ingredientes, infinitas possibilidades”, pronto esta ai uma resposta.
A burocracia brasileira é a pior barreira das microcervejarias, sempre favorecendo quem tem dinheiro, travando projetos de apoio a este mercado, exemplo foi não permitirem determinada cervejaria de produzir uma Wit bier comercialmente, devido a casca de laranja na receita, não poderia ter, porém a mais famosa Wit bier do mundo pode ser importada, o argumento do ministério foi que ela não é produzida aqui, daí pode?