Mostrando postagens com marcador Cervejas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cervejas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de outubro de 2012

American IPA - Cervejaria Davok

Quando se fala do Uruguai dificilmente associamos a cultura cervejeira, mas assim como no Brasil, pequenas cervejarias estão incitando o paladar da população com cervejas interessantes. A Cervejaria Davok é uma microcervejaria localizada em Montevidéo.

Tudo começou quando um dos atuais sócios da Sul Brewery foi estudar para uma prova do seu curso de bioengenharia e viu sobre a utilização de levedura em escalas industriais, e neste mesmo livro, viu sobre o procedimento para fazer cerveja em casa.

A partir daquele momento, a curiosidade de tentar fazer cerveja levou dois dos parceiros do atual projeto a entrar em contato com o grupo de homebrewers do Uruguai e começar com eles a incrível experiência em desenvolver e produzir as próprias cervejas.

Seguidos por outros três amigos, foram dois anos de desenvolvimento, com diferentes receitas para consumo próprio. Inesperadamente, donos de dois bares de Montevidéu que haviam provado as cervejas, gostaram e falaram que queriam comercializar aquela cerveja.

Foi assim que os cinco sócios decidiram formar a empresa em janeiro de 2008 e colocar no mercado as várias receitas que desenvolveram como cervejeiros caseiros.

Depois de um ano de instalação do equipamento e ajustar minuciosamente o processo, produzindo o volume necessário para ser considerada uma microcervejaria, a Cerveja Davok, foi lançada oficialmente no The Shannon Irish Pub, incluindo em seus estilos a primeira cerveja “personalizada”, ou produzida sobre contrato, do país, a Shannon Dunkel.

A marca Davok veio depois de conversas e intensas pesquisas com vários parentes e amigos. Atualmente cervejas Davok estão à venda em diferentes áreas de Montevidéu.

A cervejaria baseia-se no guia de estilos do BJCP para o desenvolvimento da maioria dos estilos, exceto cervejas desenvolvidas para clientes, que solicitam conforme o gosto deles.

Já tinha ouvido falar bem desta cervejaria, e tive a oportunidade de degustar três rótulos. Abaixo impressões sobre a American IPA:

Cerveja: Davok
Estilo: American IPA
Apresentação: Garrafa 600ml
Álcool: 6,5%
Cor: Âmbar, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, média/baixa duração.
Aroma: Lúpulo (Cítrico, abacaxi, maracujá, laranja), notas de malte remetendo a caramelo.
Paladar: Médio corpo, inicial maltado(caramelo), seguido por generosa porção de lúpulo cítrico, frutas tropicais, maracujá, sensação residual agradavelmente amarga e intensa.

Comentário: Boa cerveja, tanto no paladar, quanto no aroma se percebe uma verdadeira “salada de frutas tropicais” vinda da boa base de lúpulos. Começa com toques adocicados vindos do malte, passeia pelos sabores do lúpulo, para terminar com um agradável amargor, deixando um persistente e agradável sabor no palato.

Mais informações: Cerveza Davok

terça-feira, 13 de março de 2012

Bamberg Kölsch


Colonia teve inicio de sua história cervejeira na Idade Média. A primeira prova escrita de uma cerveja em Colonia foi encontrada no cadastro imobiliário do município de Niederich por volta do ano 1170. A menção é feita sobre uma casa que foi vendida a "Ezelin bruere". A partir desta data, nomes dos fabricantes de cerveja e cervejarias começaram a aparecer nos registros.

No ano de 1302 a empresa cervejeira "Zum Leysten" foi fundada na Rua Eigelstein, onde fica hoje a Pravatbrauerei Gaffel Becker e Cia, fabricante da Gaffel Kölsch, conhecida mundialmente e importada para o Brasil. Na Idade Média, Eigelstein tornou-se então uma das ruas com maior concentração de cervejarias em Colonia. Isto pode ter sido, devido ao grande número de alunos estudando no vizinho "Bursen" (antigo nome alemão para instituto de estudos).

A existência de uma fábrica de cerveja neste endereço é comprovada pelo fato de a casa ter sido identificada como uma fábrica de malte num velho mapa da cidade. "Zum Leysten" foi a primeira cervejaria ali, em uma constante expansão da indústria cervejeira a cerca da Rua Eigelstein, um total de 18 cervejarias foram registradas nas imediações no ano de 1838.

Houve 44 cervejarias nas proximidades, incluindo as áreas circundantes. Apesar do número de fábricas de cerveja ter crescido mais que a população estudantil, o quadro mantém-se praticamente inalterado. Várias das cervejarias têm sobrevivido também como restaurantes.

As cervejarias de Colonia acordaram em 6 de março de 1986 que para proteger a identidade da Kölsch na Alemanha, só em Colônia poderia ser produzida a Kölsch. A “Convenção Kölsch” foi assinada pelos Conselheiros de 24 cervejarias produtoras do estilo, com a benção do então Presidente da Câmara de Colônia, Norbert Burger.

Este documento, que é único na indústria cervejeira alemã, baseia-se em parte a uma decisão judicial de 1980. A sentença determinou que Kölsch não é apenas um estilo de cerveja, mas também uma denominação de origem. De acordo com este documento, Kölsch só pode ser fabricada e “vendida” pelos fabricantes em Colonia, com exceção das cervejarias que já produziam o estilo há muitos anos, embora não tenham sido ou não são mais residentes em Colonia.

As orientações especificam como deve ser o estilo, fermentação, cor, paladar e claro seguir a Lei da Pureza Alemã de 1516. Além disso, a cerveja tem que ser servida exclusivamente no tradicional copo Kölsch que é alto e cilíndrico. A denominação de origem "Kölsch" também deve ser claramente visível em todas as apresentações externas, que inclui recipientes, embalagens e materiais comerciais.

No Brasil, a Eisenbahn foi a primeira cervejaria a reproduzir o estilo, que no início causou certa estranheza as consumidores, alguns chegaram a falar que era uma pilsen "melhorada". Uma total covardia com o estilo que tem características bem particulares. Além deste exemplar, o chope do Fritz em Monte Verde (MG) fabrica sazonalmente, porém este ainda não tive a oportunidade de provar.

E agora temos disponível o exemplar da Cervejaria Bamberg, de Votorantim. Será um lançamento sazonal da cervejaria, para o nosso período de carnaval, já que o período tem temperaturas quentes e a cerveja possui uma bela refrescância

A Kölsch é cerveja da familia Ale, com particularidades que lembram o preparo de Lagers, como por exemplo, um longo período de maturação e temperaturas amenas na fermentação. Este exemplar da Bamberg possui três tipos de lúpulo da região de hallertau e cinco variedades de malte, veja as impressões deste exemplar:


Cerveja: Bamberg
Tipo: Kölsch
Apresentação: Garrafa 600ml
Álcool: 4,8%
Cor: Dourado intenso, limpa, brilhante.
Espuma: Ótima formação, duradoura.
Aroma: Malte lembrando cereal, levemente condimentado (lúpulo), sutis notas frutadas (uva)
Paladar: Médio corpo, inicial maltado(doce), pão, notas sutis citricas, sensação residual agradavelmente amarga.

Comentário: Bom exemplar, possui boa carbonatação, começa com toques adocicados, para terminar com um agradável amargor, deixando marcas no paladar após degusta-la. Notável sabor de lúpulo, evidentemente agregado ao fino amargor que o mesmo agrega.


Mais informações: Site da Cervejaria Bamberg

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Wäls Quadruppel


A Cervejaria Wäls de Belo Horizonte, dia após dia firma seu lugar ao Sol no mercado nacional como uma inovadora e precursora cervejaria do movimento.


Já tive a oportunidade de degustar três estilos da cervejaria, Bohemian Pilsen, Tripel e Dubbel, todos se apresentaram de forma muito consistente, ricos em sabores e aromas, demonstrando a disposição da cervejaria em produzir bons produtos. A tempos aguardávamos ansiosos o lançamento mais “almejado” do mercado, a inovadora Wäls Quadruppel. Acha que só o estilo é inovador no mercado nacional?

A quadruppel é complexa em todos os aspectos, como não poderia deixar de ser, a cerveja leva um toque brasileiro em sua composição, após todo o processo inicial de preparo, na maturação, ela recebe um complemento inusitado para todos, é adicionada a legítima cachaça mineira na maturação, isso mesmo cachaça, para deixar ainda mais “complexo” o processo, a cachaça antes de ser adicionada a cerveja recebe chips de carvalho que maturam durante determinado período, depois deste processo ela é adicionada na maturação da cerveja. Depois desta novidade a cerveja ainda passa por um dry hopping.

O resultado uma cerveja diferente, com excelente complexidade, seus 11% de álcool não são agressivos ao paladar, dá apenas sensação quente ao degusta-la, deixando ela com perigoso drinkability.

O oBIERcevando teve a exclusividade em ser um dos primeiros a degustar essa nova preciosidade nacional, ela chega aos mercados a partir desta semana, serão comercializadas as garrafas de 375ml e 750ml, ambas fechadas com rolha. Abaixo impressões do exemplar


Cerveja: Wäls
Tipo: Quadruppel
Apresentação: Garrafa 375ml
Álcool: 11%
Cor: Rubi, avermelhada, limpa, brilhante.
Espuma: Ótima formação, duradoura.
Aroma: Malte, leve dulçor, caramelo, melaço, complexo.
Paladar: Ótimo corpo, boa carbonatação, ligeira notas de lúpulo, doce, malte, álcool, toffe, picante, sensação residual picante, maltada, agradavelmente doce.
Comentário: Cerveja discreta, seu aroma exala um complexo e discreto aroma, seu sabor sugere o alto teor alcoólico, porém nada demasiado, pois as outras notas presentes equilibram de forma perfeita o conjunto. Sem dúvida o mercado ganhou muito com o lançamento.

Mais informações: Site Wäls

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Steam Engine Lager - Steamworks Brewing


O estilo Califórnia Common ou Steam Beer, é o único 100% americano, e apesar das inovações extremas da nova escola cervejeira americana,o Califórnia Common ou Steam Beer é da familia lager.

Normalmente é fabricado com uma estirpe de levedura lager que funciona melhor em temperaturas mais quentes. Este método remonta ao final do século XIX, na Califórnia, quando a refrigeração era um grande luxo e poucos tinham acesso a ela. Os fabricantes tiveram que improvisar para resfriar a cerveja, então acontecia de forma “superficial” este resfriamento nos fermentadores que eram utilizados, resfriando não muito bem.

Então, esta estirpe de levedura lager foi treinada para fermentar mais rápido em temperaturas mais quentes. Hoje os exemplos do estilo possuem cor âmbar para escuro, corpo médio com um maltado destacado. Levemente frutado com um assertivo amargor.

Um exemplo clássico e uma das primeiras a fabricar o estilo foi a Anchor Brewing Company, registrado o termo "Steam Beer" e, como tal, todas as outras cervejarias legalmente não podem utilizar o termo em seus rótulos ou designações de estilos por isso além de Steam Beer o estilo também é chamado de “Califórnia Common".

Tive a oportunidade de degustar a Steam Engine Lager da Cervejaria Steamworks, já havia comentado sobre a história da cervejaria e degustado outro exemplar deles aqui. Um estilo muito particular e de boas características, abaixo impressões:

Cerveja: Steamworks Brewing
Tipo: Califórnia Common/ Steam Beer
Apresentação: Garrafa 355ml
Álcool: 5,5%
Cor: cobre intenso, limpa, brilhante.
Espuma: Média formação, duradoura.
Aroma: Malte, leve dulçor, caramelo, nuances defumadas, lúpulo, floral.
Paladar: Médio corpo, média carbonatação, moderado amargor, leve dulçor, caramelo, biscoito, sensação residual inicialmente maltada, depois vem o amargor e deixa o paladar seco.
Comentário: Boa cerveja, no entanto que já ganhou diversos concursos internacionais, tais como Australian International Beer Competition, Great American Beer Festival, entre outros. Possui 25 IBU´s percebidos somente ao final do gole, deve harmonizar perfeitamente com carnes vermelhas que possuam temperos apimentados. Vale a pena procurar por se tratar do único estilo americano e que quase sumiu devido ao pouco interesse das cervejarias em fabricá-lo, agora está voltando a tona.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Steamworks Kölsch


Steamworks Brewing Company serviu a sua primeira cerveja em setembro de 1996. Hoje possuem dois endereços de brewpub, o principal fica em Durango, no estado de Colorado. A construção do brewpub foi feita em um prédio antigo, datado em 1920, conseguiram manter as características da construção original, com estrutura de concreto, aço e madeira exposta, para a satisfação da Sociedade de Preservação Histórica de Durango.

Com o crescimento da cidade vizinha Bayfield, e a necessidade da Steamworks em aumentar sua capacidade de produção, fizeram com que em 2005 fosse fundado mais um brewpub, o Steamworks Bayfield, dotado com a mesma "capacidade industrial" do brewpub original em Durango. Ao longo dos anos, a Steamworks tem se esforçado para ser "parceira", apoiando eventos e atividades que permitam a maré subir", pois eles acreditam que quando uma comunidade é forte, todos os barcos navegam bem.

Em 2005, foi reconhecida pela participação efetiva em eventos da comunidade, bem como sua exemplar operação comercial, culminando com o título de Empresa do Ano pela Câmara de Comércio de Durango. Estiveram presentes na Brasil Brau deste ano, pelos muitos negócios feitos durante a feira, acredito que logo deveremos ter alguns exemplares americanos desembarcando aqui, abaixo segue impressões da Steamworks Kölsch.

Cerveja: Steamworks Brewing
Tipo: Kölsch
Apresentação: Garrafa 355ml
Álcool: 4,85%
Cor: Dourada, levemente turva, brilhante.
Espuma: Boa formação, baixa duração.
Aroma: Malte, leve dulçor, pão, lúpulo.
Paladar: Médio corpo, boa carbonatação, balanceado amargor, pão, floral, sensação residual maltada com agradável amargor.
Comentário: Boa cerveja, aftertast persistente, apresenta característica lupulada, um pouco além para o estilo, mas não é desequilibrada, possui 18 IBU.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Widmer Hefeweizen


Os irmãos Rob e Kurt Widmer fundaram a Widmer Brothers Brewing Company em 1984, na cidade de Portland, Oregon, e até hoje supervisionam pessoalmente as produções.

O Craft Brewers Alliance Inc. (CBAI), sediada em Portland, Oregon, é o resultado da fusão de duas cervejarias artesanais, a Widmer Brothers Brewing Company e Redhook Ale Brewery, com esta união conseguiram aumentar distribuição, aumentar participação no mercado e possuem ações negociadas na Nasdaq. Exemplo que começou a ser visto agora por algumas cervejarias brasileiras, que juntos é relativamente mais fácil abrir caminhos.

Esta American Hefeweizen começou a ser produzida pela Widmer em 1986, possui 30 IBU, leva 4 tipos de malte (Pale Ale, Munich, Malte de trigo e Malte Caramelo) e três tipos de lúpulo, um de amargor (Alchemy) e dois aromáticos (Willamette e Cascade), esta cerveja esteve disponível apenas na Brasil Brau, este exemplar pude degustar com mais tranqüilidade, segue impressões:


Cerveja: Widmer Brothers
Tipo: Hefeweizen
Apresentação: Garrafa 355ml
Álcool: 4,9%
Cor: Alaranjada, turva, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Leve dulçor, cravo, malte, trigo.
Paladar: Bom corpo, bem carbonatada, médio amargor, ligeira acidez, cravo, cítrico, lúpulo, sensação residual levemente doce com notas de cravo.
Comentário: Boa cerveja, refrescante, bem diferente das Hefeweizen alemãs, possui bom equilíbrio, sente-se leve cítrico, provavelmente do lúpulo, ingrediente que os americanos quase não gostam, particularmente deixaria ela com tons mais frutados, a cervejaria indica ao servi-la colocar uma pequena rodela de limão no copo, fato comum em algumas cervejarias americanas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Pilsen Das Bier





A cervejaria Das Bier fica localizada em Gaspar, município vizinho a Blumenau, em Santa Catarina, a cervejaria produz quatro estilos de cerveja - Pilsen; Natural (Pilsen não filtrado); Weiss e o Braunes Ale (Amber Ale).

A cervejaria foi inaugurada em 2006 e já tive a oportunidade em fazer uma entrevista com Emerson Bernardes aqui. Como neste final de semana aconteceram dois fatos importantes, meu aniversário e meu primeiro dia dos pais, tinha que comemorar bem, fiz um modesto evento com o chopp Pilsen da Das Bier, legal foi que as pessoas gostaram muito do chopp e eu fiquei muito satisfeito com o produto que apresentou linda cor, ótimo frescor e perfeito amargor.

Fica a dica em onde visitar durante a Oktoberfest, pois o local aonde fica a cervejaria e seus produtos valem a pena, abaixo impressões.

Cerveja: Das Bier
Tipo: Pilsen
Apresentação: Chopp 330ml.
Álcool: 4,8%
Cor: Dourado, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Malte, Lúpulo, leve floral.
Paladar: Bom corpo, malte, pão, lúpulo, boa carbonatação, sensação residual com agradável amargor.
Comentário: Boa cerveja, a cor tem um dourado intenso, é limpa, espuma com ótima persistência, fica até o final no copo, seu amargor é bem perceptível, não é a mais amarga do mercado, porém representa bem o estilo. Sua "irmã" a Pilsen natural, que não é filtrada, também possui ótimas características, foi até elogiada por um lupulomaníaco conhecido da Acerva Carioca.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cervejas Millstream

No município de Amana, que fica em Iowa nos EUA, Carroll F. Zuber e os irmãos Tiago e Dennis Roemig construíram uma pequena fábrica de cerveja para reproduzir em pequenos lotes as melhores cervejas européias. A primeira cerveja produzida foi a Millstream Lager, depois vieram a Schild Brau e mais tarde a Millstream Wheat Beer.
Foi no ano de 1985 que a Millstream Brewing Co. abriu as suas portas - a primeira cervejaria a operar em Amana desde 1884. A história continua em 2000 com a venda da fábrica a Chris Priebe, Aaron Taubman, e Teresa Sly Albert. Aaron é um bioquímico, e possui grande conhecimento em “propagação de fermento”, mantendo um ótimo padrão nas produções. Aaron e Chris são formados pelo Siebel Institute of Brewing, importante escola cervejeira. Já Teresa é a responsável pela parte comercial e de marketing.

Tive a oportunidade de degustar três dos dez exmplares que a cervejaria produz, uma é a Pilsner, uma cerveja relativamente clara porém aromática graças ao lúpulo Saaz utilizado e com bom corpo, ficando somente a desejar na cor.

Depois veio a Wheat Lager uma cerveja leve, bastante apreciada na zona rural de Iowa. Malte de trigo é cuidadosamente misturado com o tradicional malte de cevada, lúpulo e levedura, é uma "SummerFest", geralmente a cerveja é servida em um copo longo com uma fatia de limão. E por fim a White Ale's uma cerveja de trigo estilo belga, popularmente conhecida como "Wit" beer. Esta cerveja foi produzida no inicio exclusivamente para John's Grocery a maior e mais famosa loja varejista de cerveja e vinho no Estado de Iowa, agora já pode ser encontrada em outras lojas americanas, ainda não são encontradas no Brasil. Abaixo impressões.


Cerveja: Millstream
Apresentação: Garrafa 355ml.
Tipo: Pilsener.
Álcool: 4,5%
Cor: Dourada, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Malte, floral, lúpulo, excelente aroma de lúpulo.
Paladar: Bom corpo, agradável dulçor, lúpulo, cítrico, sensação residual maltadacom leve amargor.
Comentário: Cerveja que chama atenção pelo ótimo aroma de lúpulo, já no paladar ele fica em segundo plano, é presente porém menos intenso que o malte, trazendo uma leve doçura, porém ficaria melhor se tivesse o amargor mais presente, isso deixa a cerveja com um ótimo drinkability.


Cerveja: Millstream
Apresentação: Garrafa 355ml.
Tipo: Lager c/ trigo.
Álcool: 4,5%
Cor: Amarelada, levemente turva, brilhante.
Espuma: Boa formação, baixa duração.
Aroma: Leves notas maltadas, notas cítricas, aroma muito leve.
Paladar: Médio a baixo, ligeira sensação ácida, malte, leve dulçor, sensação residual levemente amarga.
Comentário: Cerveja para o verão, altamente refrescante, bem carbonatada, não tem nada demais, seu aroma é quase inexistente, esperava mais desta cerveja.

Cerveja: Millstream
Apresentação: Garrafa 355ml.
Tipo: Wit beer.
Álcool: 5,2%
Cor: Amarelada, levemente turva, brilhante.
Espuma: Boa formação, baixa duração.
Aroma: Especiarias, cítrico, doce, lima, leves notas maltadas.
Paladar: Baixo corpo, forte carbonatação, doce, cítrica, coentro, laranja, leve acidez, sensação residual seca com notas condimentadas.
Comentário: Uma Cerveja bem executada, bem fiel ao estilo, a melhor das três degustadas.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Malheur 12º

A Cervejaria De Landtsheer está localizada na pequena cidade de Buggenhout na Bélgica.
Produzindo cerveja no mesmo local que seu avô e bisavô, Manu Landtsheer criou uma bem sucedida e inovadora cervejaria em apenas nove anos, após assumir as rédeas.
A cervejaria produz a marca Malheur, que possui uma gama de excelentes cervejas, sua linha de cervejas “claras” são intituladas de: 6, 8 e 10, e uma cerveja “escura” que é a 12º. As cervejas possuem a mesma quantidade de álcool que os seus “títulos”. Apenas as flores “in natura” do lúpulo são utilizadas em seu preparo, as variedades são Hallertau, Saaz e Styrian. As cervejas são filtradas porém refermentadas na garrafa, trazendo certa “turbidez” as mesmas.

A De Landtsheer é também umas das únicas cervejarias a produzir cervejas pelo método champenoise, a Malheur Biére Brut, Malheur Dark Brut que é produzida a partir da Malheur 12º e a Malheur Cuvée Royale.

A cerveja Malheur 12° ano passado ganhou uma medalha de ouro no European Beer Star Award 2008 na categoria belga-Style Dubbel. Daí aparece a dúvida, uma cerveja com seus potentes 12% poderia concorrer na categoria Dubbel?

Sua embalagem discreta e reduzida passou por mudanças recentes, a embalagem que está na foto acima foi alterada, o rótulo mudou, a quantidade de 250ml. passou para 330ml, ainda bem, e alguns especialistas acham que o produto também mudou, mas diferente daqui, os “especialistas” dizem apenas a característica que encontraram de diferente, não reclamaram e muito menos criticaram a cervejaria, a mudança foi a leve diminuição no lúpulo, isso segundo degustadores belgas.
Infelizmente ainda não está disponível no Brasil, abaixo impressões:


Cerveja: Malheur 12º
Apresentação: Long Neck 250ml.
Tipo: Quadrupel??
Álcool: 12%
Cor: Castanho escuro, tons avermelhados, levemente turva, brilhante.
Espuma: Ótima formação, duradoura.
Aroma: Doce, notas torrefação, álcool, nozes, chocolate, complexo.
Paladar: Ótimo corpo, agradável dulçor, quente, picante, frutas escuras, álcool, notas levemente torradas, baixo amargor, licorosa, algum defumado, sensação residual amarga com toque picante do alcool.
Comentário: O drinkability desta cerveja é bastante elevado, ou melhor, perigosamente elevado, pois os 12% não são percebidos, gostaria de ter mais alguns exemplares para guardar durante alguns anos, deve ocorrer uma evolução muito boa, pois este agradável dulçor que possui tende a diminuir trazendo novas características.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Cervejas Boon

A importadora Bier e Wein, importadora com maior número de rótulos e estilos disponíveis no Brasil, traz a nós amantes do nobre liqúido mais uma opção, até então desconhecida pela maioria, são as cervejas estilo lambic da Cervejaria Boon, que hoje pertence ao grupo belga Palm que relatei a história de sucesso aqui.
As cervejas da Boon são produzidas através de fermentação espontânea, depois são maturadas em tonéis de carvalho. Os produtos da cervejaria são os seguintes:

- Oude Geuze Boon: Fermentação espontânea e maturação de 2 anos em barris de carvalho.

- Geuze Mariage Parfait: Híbrido da seleção dos melhores barris com lambics pelo mestre cervejeiro. A mistura da Mariage Parfait é constituída por 90% de lambic com pelo menos dois anos, cerca de 5% de cerveja com mais de de 3 anos e 5% com lambic jovens, que fornecem açúcares fermentáveis e carbonatação, esta foi um dos exemplares degustados abaixo.

- Faro Perte Totale: 50% lambic “velha” e 50% de lambic “jovem” com a adição de açúcar e especiarias.

- Kriek Boon: Mais uma cerveja de fermentação espontânea, elaborada a partir de novas e antigas lambics, como as outras matura em barris de carvalho, são utilizadas 240 gramas de cerejas por litro de cerveja. É adicionada cereja em barris com no mínimo 6 meses de fermentação/maturação, utilizando o processo de maceração. Este método é conhecido na cultura do vinho e exige que a fruta seja adicionada inteira, no momento da fermentação da cerveja (fase fria).


- Oude Kriek Boon: Utiliza os mesmos métodos das outras cervejas, porém leva 300 gramas por litro de cerejas e tem segunda fermentação na garrafa.


- Framboise Boon: Mais uma cerveja de fermentação espontânea, elaborada a partir de novas e antigas lambics e matura em barris de carvalho, são utilizadas 250 gramas de framboesa por litro de cerveja.


- Cerveja Devils: é uma cerveja escura, rementendo as cervejas produzidas em abadia, utiliza maltes especiais, açúcar mascavo e 2 tipos de lúpulo aromático.

Segue abaixo os dois estilos recém aportados no Brasil, vale a pena aprofundar o conhecimento neste estilo tipicamente belga.

Cerveja: Kriek Boon
Apresentação: Garrafa 375ml.
Tipo: Fruit Lambic
Álcool: 4%
Cor: Rubi, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Cereja, doce, ligeiramente ácido, notas azedas.
Paladar: Médio corpo, boa carbonatação, frisante, doce, leve azedo, notas acidas, sensação residual azeda e ligeiramente doce.
Comentário: Cerveja com final persistente, seu dulçor é equilibrado com as notas azedas e ácidas do estilo, bom exemplar, merece um repeteco, porém acompanhando um doce, como uma torta de queijo coberta com amoras.


Cerveja: Boon Oude Geuze Mariage Parfait
Apresentação: Garrafa 375ml.
Tipo: Geuze
Álcool: 8%
Cor: Alaranjada, dourada, leve turbidez, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Frutado (laranja, uva), leve doce, azedo, madeira, complexo.
Paladar: Bom corpo, cítrico, azedo equilibrado, ácida, adstringente, leve doce, sensação residual seca, ácida.
Comentário: Cerveja com alto teor alcoólico, porém muito bem inserido no conjunto, lembra bastante um bom vinho branco, é uma cerveja que ou a ame ou a odeie, o gosto pessoal de cada um determina. Só não deve deixar de degusta-la porque dizem que é ruim, tente identificar características que agradem ao seu paladar, vale lembrar que são cervejas únicas no mundo.

Mais informações: Bier & Wein

domingo, 12 de abril de 2009

Zehn Bier Porter

A Cervejaria Zehn Bier de Brusque, Santa Catarina, em breve estará colocando mais três produtos no mercado, lançarão um Pilsen Extra que pude degustar e deixou boas impressões devido a sua bela cor, álcool, corpo, amargor mais pronunciados, o amargor não é agressivo, entretanto é bem presente no paladar.
Virá também o Helles Bock, único do estilo produzido comercialmente no Brasil, este merece especial atenção devido a sua qualidade e boas características, esse merece um post a parte.
A ultima receita que está em testes é de uma Weizenbier, degustei em primeira mão e se demonstrou bem fiel ao estilo, com boas notas de cravo, banana e um belo corpo.
Desta vez vou comentar sobre a cerveja de linha da Zehn bier, ela já é comercializada em garrafas de 600ml. porém por não ser pasteurizada tem que ficar refrigerada, é o chopp engarrafado, por isso ainda não chega em locais muito distantes da fábrica, abaixo impressões:


Cerveja: Zehn Bier
Apresentação: Garrafa 600ml.
Tipo: Porter
Álcool:4,6%
Cor: Preta, bem escura, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Torrefação, malte, notas de café.
Paladar: Médio corpo, torrado, caramelo, seca, equilibrado amargor, sensação residual seca com final ligeiramente torrado.
Comentário: Cerveja com bom drinkability, poderia talvez aumentar as notas de torrefação no paladar ou então pasteurizar para chegar a outros mercados do Brasil.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Palm

Arthur Van Roy (pai de Alfred) foi de Wieze para Steenhuffel em 1908 e se casou com Henriette De Mesmaecker da "De Hoorn" Cafeteria, Fazenda, Cervejaria e Destilaria. Ele imediatamente começou a expandir o negócio, levando o desenvolvimento industrial a Cervejaria De Hoorn. Tiveram três filhos: Caroline, Karel e depois, em 1913, Alfred. Quando tinha apenas 4 anos, Alfred vivenciou os horrores da Primeira Guerra Mundial, quando a cervejaria foi arrasada, deixando a sua mãe (Henriette) tão mal que morreu pouco tempo depois da guerra. Em 1928, Alfred com 15 anos, começou a trabalhar como ajudante na fabrica de cerveja ao lado do pai, Arthur, mas por saber que só a experiência prática não ajudaria, o jovem Alfred com sede de conhecimento decidiu estudar sobre processo cervejeiro no colégio Sint-Aloisius, em Bruxelas.

Na eclosão da Segunda Guerra Mundial, Alfred Van Roy tinha 27 anos e já contava com 12 anos de experiência na fabricação de cerveja. Foi um tempo de "sobrevivência do mais forte", com fábricas lutando em encontrar locais para compra de carvão, malte e lúpulo e se estes não estivessem disponíveis, a cerveja tinha que ser feita a partir de beterraba ou batata cozida. Muitas cervejarias não conseguiram sobreviver à guerra, mas outras cresceram rapidamente. Uma cervejaria em especial continuou fielmente sua fabricação de cerveja estilo Ale e se tornou a segunda maior fabricante de cerveja em 1958 na Bélgica. Isso incentivou as ambições de Alfred Van Roy, ele sabia que a industrialização em larga escala, publicidade agressiva e, em particular, a qualidade da cerveja, trariam ótima impressão e gerariam lucro.
Alfred Van Roy disse muitas vezes: "Eu nunca inventei nada sozinho, tudo o que fiz foi dar uma boa olhada no que fizeram outras pessoas bem sucedidas." E assim a cervejaria De Hoorn cresceu junto com os outros fabricantes de cerveja de alta fermentação, que foram então, desfrutando grande sucesso. Após ler a autobiografia de Henry Ford, Alfred aprendeu que "é preciso dar aos clientes o que eles querem e o resto será dado a você". Este é o princípio básico de marketing e por isso a definição: uma boa cerveja era o que seus clientes queriam: um lote de sabor, mas com um sabor tão fino quanto possível. Qualidade tornou-se a base para o crescimento. Para ajudá-lo a alcançar este objetivo, Alfred Van Roy sempre esteve rodeado com os melhores cientistas, consultores e bons mestres cervejeiros. Ele também estava continuamente aprendendo, participou da primeira Convenção Cervejaria Européia na cidade de Brighton, no Reino Unido, em 1951. Ele era conhecido por ouvir cada palestra com cuidado, para satisfazer a sua constante fome de conhecimento.
Nessa altura tinham sido fechadas milhares de cervejarias na Europa, a Cervejaria De Hoorn permaneceu, embora tenha sido um pouco desencorajada pelo fato de Alfred crer "que a cerveja de alta fermentação tem mais sabor e aroma que a “Pils” e acabará por triunfar" como isso não aconteceu plenamente e a Pilsen realmente dominava o mundo, sua cerveja com alta fermentação teria que ter um nome a altura e passou a se chamar PALM, que significa Vitória. Alfred Van Roy foi e sempre quis ser um "empresário digno de sucesso". Ele atingiu isto com honras! Em sua vida nos negócios, ele aprendeu todas as disciplinas de gestão e aplicou na prática: organização empresarial, o custo de gestão, recursos humanos, marketing, orientação do cliente. Até mesmo as tendências mais recentes como "Ética e negócios sustentáveis", não eram novidade para Alfred Van Roy.
Para garantir a continuidade da família no negócio em 1974, Alfred Van Roy pediu a Jan Toye, sobrinho de sua esposa Aline Verleyen, a participar no dia-a-dia da gestão da fábrica.


Hoje a PALM é detentora de outras marcas, em 1993 surgiu a Cervejaria Boon, que só fabricaria cervejas de fermentação espontânea, as famosas lambics
Em 1998, assumiu a Rodenbach como parte de seus esforços para proteger o património histórico cervejeiro belga. Essa cervejaria produz um estilo único através da fermentação mista, na qual já pude degustar aqui e aqui.
Campanhas de publicidade para Rodenbach deram novo impulso aos negócios. O complexo de edifícios da cervejaria, que abrigava nada menos que trezentos imensos barris de carvalho foram restaurados.
A aquisição da cervejaria Gouden BOOM de Bruges em 2001, complementou a gama de cervejas de alta fermentação com a linha BRUGGE. Em 2003 foram autorizados a produzir a marca Steen Brugge que pude degustar.
Em 2005, Jan Toye tomou mais um passo no sentido de aumentar o profissionalismo desta empresa familiar. O Conselho de Administração foi ampliado e um novo Comitê Executivo nomeado. Como resultado, na quinta-feira, 8 de Novembro de 2007, a Cervejaria Palm recebeu um prêmio do Instituto de Empresas Familiares por ser um "Negócio Familiar Altamente Profissional". Hoje o “grupo” PALM ocupa uma posição única no setor cervejeiro, tendo saído de um produto único, para um sistema multi-nicho cervejeiro, é o único grupo cervejeiro do mundo a ter autênticas cervejas belgas, que utilizam 4 tipos de fermentação: Alta; Baixa; Mista; Espontânea, sendo que a Cervejaria PALM em Steenhuffel fabrica 90% de alta fermentação e 10% baixa fermentação, a Cervejaria Rodenbach em Roeselare tem 100% de sua produção “mista". E na Cervejaria BOON toda a produção tem fermentação espontânea.
Estão sendo importadas para o Brasil, pela Bier & Wein 06 cervejas do grupo, a Steen Brugge, na qual degustei os dois exemplares aqui, dois exemplares da cerveja Boon, que comentarei em outro post e também dois exemplares da Palm,um é a tradicional Palm, a outra é a Palm Royale que foi criada em 2004, em comemoração ao 90º aniversário do mestre Alfred Van Roy, segue impressões abaixo:

Cerveja: Palm
Apresentação: Garrafa 330ml.
Tipo: Belgian Pale Ale
Álcool: 5,4%
Cor: Cobre, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Malte, leve condimentado, lúpulo herbal.
Paladar: Médio corpo, lúpulo, seca, levemente condimentada, nuances de álcool, ligeriamente ácida, sensação residual seca com final ligeiramente maltado, cerveja refrecante.
Comentário: Cerveja refrescante, com boa carbonatação, lembra um pouco a Weinachts Ale da Eisenbahn, esta cerveja no passado, no começo da história deve ter sido "pesada" hoje creio estar mais agradável aos paladares menos exigentes.


Cerveja: Palm
Apresentação: Garrafa 330ml.
Tipo: Belgian Pale Ale
Álcool: 7,5%
Cor: Cobre, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Lúpulo, leve frutado, condimentado, ligeiras notas doces.
Paladar: Médio corpo, malte, lúpulo fino, levemente frutada, quente, álcool, sensação residual quente, ligeiramente doce, apimentado.
Comentário: Boa cerveja, melhor opção que sua “irmã”, apresenta personalidade principalmente devido ao seu alto teor alcoólico que acrescenta calorosas impressões no paladar.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Steen Brugge


Na Idade Média, em Flandres, Bélgica, Arnold de Tiegem fundou a Abadia de St. Peter e, em 1084, passou a produzir cerveja, com a qual “curava” operários doentes. Na realidade, como na época a água era imprópria para se beber, Arnold estimulava o consumo de cervejas, livrando assim várias pessoas dos grandes surtos de doença e pragas. O “santo remédio” tornou-se tão procurado que ele foi declarado o santo patrono dos produtores belgas. E é justamente esta cerveja que homenageia este santo patrono que a Bier & Wein Importadora traz ao Brasil: Steenbrugge, em duas versões que carregam o legado da melhor tradição cervejeira belga.
Além da benção do santo patrono, têm também um outro elemento importante que tempera ainda mais a cerveja, além do lúpulo, proporcionando um rico aroma e paladar: o Gruut. Trata-se de uma mistura herbal que diferencia a Steenbrugge de outras cervejas do mesmo estilo. Há séculos atrás, cada cidade costumava ter sua própria cerveja, com sua própria personalidade. Em Bruges, cidade de Flandres próxima ao pequeno vilarejo de Steenbrugge, onde se encontra a abadia se St. Peter, a personalidade foi determinada por essa mistura de ervas que os fabricantes adquiriam da casa de ervas da cidade, conhecida como Gruuthuse. Para a fabricação de Steenbrugge, esta tradição medieval continuou e os padres da Abadia de St. Peter também enriqueceram sua cerveja com esta mistura.
No ano de 1898, o abade Amandus Mertens decidiu honrar a amada Abadia de St. Peter com sua própria cerveja, em memória de seu fundador, St. Arnold, o santo patrono dos fabricantes belgas de cerveja. Um grande relicário do santo permanece até hoje conservado na Abadia, localizada na província de Steenbrugge, em Flandres - Bélgica.

Após um recesso durante a Primeira Guerra Mundial, as pessoas que moravam próximas à abadia pediram aos padres para que continuassem produzindo Steenbrugge, de acordo com a receita herdada. O segredo de seu sabor encorpado foi guardado e tem sido desde então passado por gerações de mestres-cervejeiros. Primeiro, pelo irmão Gamaliël, então por seu sucessor, padre Victor. Posteriormente, aos produtores leigos, que criaram a cerveja de abadia Steenbrugge como ordenado pelos padres, foram ensinados os truques do ofício. Em 2003, o superior da Abadia de St. Peter autorizou a cervejaria Palm a produzir Steenbrugge.
Cerveja: Steen Brugge
Apresentação: Garrafa 330ml.
Tipo: Belgian Pale Ale
Álcool: 6,5%
Cor: Dourado intenso, leve turbidez, brilhante.
Espuma: Boa formação, média duração, queda rápida.
Aroma: Lúpulo, ligeiro dulçor, malte, notas citricas.
Paladar: Médio corpo, baixo amargor, leve dulçor, notas frutadas (laranja), citrico, picante, sensação residual seca.
Comentário: Boa cerveja, poderia talvez ter um caráter maior de malte no paladar, dando mais corpo, seu final é seco, isso é bom, pois pede outro gole.
Cerveja: Steen Brugge
Apresentação: Garrafa 330ml.
Tipo: Dubbel
Álcool: 6,5%
Cor: Castanho escuro, leve turbidez, brilhante.
Espuma: Boa formação, média duração.
Aroma: Chocolate, especiarias, metal, torrefação, ligeira doçura.
Paladar: Médio corpo, bem carbonatada, leve dulçor, torrado, caramelo, frutas escuras, sensação residual com leve dulçor e torrefação.
Comentário: Esta cerveja apresenta alta carbontação, destaque fica para o aroma que apresenta mais complexidade que o sabor, uma dubbel relativamente ligeira, não é tão robusta como outros exemplares.
Aonde?
Bier & Wein Importadora
Televendas: (11) 5643-8584 ou 5641-6669
E-mail: sac@buw.com.br

terça-feira, 17 de março de 2009

Hacker-Pschorr Anno 1417

A cervejaria Hacker-Pschorr teve início com a Hackerbraü, fundada no ano de 1417 na cidade de Munique na Alemanha. No século 18, precisamente em 1793 Maria Therese Hacker se casou com o agricultor Josef Pschorr (1770 – 1841), que alguns anos depois comprou a Hackerbraü de seu sogro. Mais tarde em 1820 Joseff proprietário da então Hackerbraü resolveu montar outra cervejaria com seu nome, a Pschorrbräu. Apesar de pertencer a mesma família as duas cervejarias tiveram um relacionamento conturbado, se juntando e separando por duas vezes.
Georg Pschorr (1798-1867) foi um empresário bem conhecido em Munique, ele herdou a cervejaria de seu pai Josef e dizem ser o patriarca da dinastia Pschorrbraü. Georg continuou o eficiente trabalho do pai com a cervejaria e plantou sementes para o crescimento, ele é um dos principais responsáveis pelo que a Hacker-Pschorr é hoje. A cerveja Weisse Dark ou Dunkelweizen da Hacker-Pschorr é sua criação e ostenta orgulhosamente o seu nome e imagem no rótulo.
O logotipo atual é a união dos logotipos das duas cervejarias, diz a lenda que o círculo vermelho em torno do "P" representa o infinito amor de Josef por Therese. Hoje a Hacker Pschorr é uma das seis cervejarias oficiais da Oktoberfest de Munique e pertence ao grupo Paulaner.
Uma das utimas novidades da Hacker-Pschorr é a ANNO 1417, uma original Kellerbier e como o estilo surgiu antes da introdução da filtração no século 19 ela é naturalmente turva, o nome deste estilo remonta a sua história já que seu armazenamento acontecia em caves, geralmente no porão das cervejarias, outra característica importante é que durante a maturação ela não é mantida sob pressão, ficando pouco carbonatada, porém os exemplares engarrafados tem boa carbonatação, quando for a Alemanha não estranhe se tomar um exemplar do estilo com pouco gás.
A levedura rica em proteínas, a água rica em minerais e o consumo responsável deixa os benefícios desta cerveja a mostra. Abaixo impressões do exemplar degustado:


Cerveja: Hacker-Pschorr
Apresentação: Garrafa 500ml. c/ tampa de porcelana e fechamento flip-top.
Tipo: Kellerbier
Álcool: 5,5%
Cor: Dourado intenso, acobreada, turva, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Pão, malte, lúpulo, leves notas florais.
Paladar: Bom corpo, boa carbonatação, malte, agradável amargor, levemente doce, sensação residual seca.
Comentário: Lúpulo na medida certa, ela possui alta carbonatação para o estilo, porém na versão engarrafada é aceito. Começa com toques de malte e uma profunda secura vem em seguida deixando claro a característica do lúpulo nesta autêntica lager alemã.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Dado Bier Double Chocolate Stout

Bem amigos do oBIERcevando, após um breve período do mais puro ócio carnavalesco, retomamos as atividades e diga-se de passagem, com força total.

Após uma breve passagem pela terra natal, São Paulo, pude reencontrar amigos e degustar bons exemplares cervejeiros, uma destas degustações trouxe uma cerveja um tanto inusitada.
Divulgou-se mundialmente o “feito” da Cervejaria japonesa Sapporo ter elaborado uma receita de cerveja com chocolate em sua composição, bom isso já não era novidade para os cervejeiros caseiros, nem para a escola inglesa.

Ligado a isso, a Dado Bier, mais uma microcervejaria que está reconhecendo o trabalho do cervejeiro caseiro brasileiro, escalou uma dupla de peso, apesar dos dois serem pequenos, para ajudar a desenvolver uma receita que leve o bom e velho chocolate em sua formulação.
Ricardo Rosa e Mauro Nogueira, da Acerva Carioca, estão a frente da receita, prepararam uma Double Chocolate Stout, que obviamente leva chocolate na fórmula e impressiona pela sua complexidade e força.

O chopp já está sendo comercializado nos bares da Dado Bier em Porto Alegre, o preço é R$ 12,90 a taça, vale a pena cada um avaliar e tirar suas próprias conclusões sobre o produto.
O corpo denso é ótimo, o álcool apresenta-se de maneira persistente e traz sensação quente no paladar. Quando conversei com o Mauro sobre o produto ele comentou que foram feitos diversos testes, a idéia era algo como um licor de chocolate, denso, complexo, com potência alcoólica, mas que tivesse as características de uma cerveja, claro!

Os primeiros testes chegaram a inusitados 11,7% de álcool, o exemplar que degustei tinha 11,2%, porém quando chegar na versão engarrafada deverá ter em torno de 10,5% e provavelmente no segundo semestre deste ano esteja nos pontos de venda. O preço já causou discussão e certo descontentamento no consumidor, visto que poucos terão acesso e se tornará um produto bem limitado. Creio que seja melhor esperar o produto ser efetivamente lançado antes de qualquer conclusão, agradecimento ao caro Roberto Fonseca, abaixo segue impressões sobre o exemplar:
Cerveja: Dado Bier
Apresentação: Long Neck 355ml.
Tipo: Double Chocolate Stout
Alcool: 11,2%
Cor: Escura, leves tons avermelhados, leve turbidez, brilhante.
Espuma: Levemente escura, boa formação e duradoura.
Aroma: Complexo, álcool, malte, torrefação, café, chocolate.
Paladar: Ótimo corpo, levemente licorosa, boa carbonatação, notas doces, sensação quente vinda do álcool, torrefação, café, sensação residual quente, adstringente, seca.
Comentário: Gostaria de ter mais acesso ao produto, creio que não só eu....

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tuborg Pilsener


A United Breweries foi formada em 1891 por pequenas cervejarias na Dinamarca, a mais conhecida e antiga era a King's Brewhouse. O movimento foi instigado pelo industrial dinamarquês FC Tietgen.Em 1894 a Tuborg também entrou na organização, porém nos anos seguintes, uma onda de fusões e racionalizações conduziram a uma redução no número de pequenas cervejarias para três: a King's Brewhouse com duas fábricas em locais distintos e a Tuborg. Em 1970, a United Breweries e o Grupo Carlsberg se uniram. A empresa resultante da fusão continuou sendo chamada de United Breweries, porém foi alterado em 1987 pelo Grupo Carlsberg, afim de evitar confusão com outra cervejaria homônima.


O nome Tuborg está relacionado ao nome da rua aonde foi fundada a cervejaria em Copenhagem.Em diversos países da Europa é a lager mais vendida, hoje é identificada na maioria dos países do Leste da Europa como uma grande patrocinadora de grandes eventos musicais, como por exemplo no Brasil o Skol Beats.
Apesar de ser dinamarquesa a versão que degustamos veio da fábrica na Alemanha, que está localizada em Hamburgo. Não sei dizer se este exemplar é diferente de outras versões produzidas em outras regiões da Europa. O que admiro e creio valorizar significativamente o produto são os rótulos e achei este rótulo ótimo, pois tem uma velha pintura que chama a atenção, é uma arte no rótulo. A descrição do quadro diz "Der Mann durstige" que significa "homem sedento", quer algo mais perfeito? Abaixo segue impressões sobre o exemplar degustado:

Cerveja: Tuborg
Tipo: Pilsen Apresentação: Garrafa 350ml.
Álcool: 4,9%
Cor: Dourado, limpa, brilhante.
Espuma: Média formação, média a baixa duração.
Aroma: Leve oxidação, malte, notas de lúpulo.
Paladar: Bom corpo, malte, lúpulo, médio amargor, notas doces, sensação residual maltada com considerado aftertast amargo.
Comentário: Uma cerveja diferente das nossas, porém o rótulo trouxe melhores impressões do que propriamente a cerveja, mas seria fácil a cerveja do dia a dia.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pelforth Blond

A Cervejaria Pelforth é francesa e foi fundada em 1914 em Monsen Baroeul. A produção ficou interrompida durante a Segunda Guerra Mundial, reiniciando em 1950.
A cervejaria já teve outro nome, Pelican, mas em 1972 foi mudado para Pelforth.
Foi adquirida por outra Cervejaria Francesa em 1986,entretanto logo após foi adquirida pela Heineken International, em 1988.
A cervejaria fabrica a Pelforth Brune e a Pelforth Blond na qual pude degustar, segue abaixo impressões:


Cerveja: Pelforth
Apresentação: Long Neck 250ml.
Tipo: Classic American Pilsner
Álcool: 5,8%
Cor: Dourada, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, queda lenta, duradoura.
Aroma: Malte, lúpulo, leve adocicado, floral.
Paladar: Bom corpo, malte, lúpulo, amargor persistente, nota ligeiramente doce, sensação residual ligeiramente amarga.
Comentário: Esta é um popular lager Francesa, após ser adquirida pela Heineken seu consumo aumentou consideravelmente na Europa e apesar se ser européia optei classifica-la como uma Classic Americam Pilsner seguindo as minhas impressões com relação ao BJCP. Uma boa cerveja, entretanto sem muito a destacar.

Mais informações: Site da Pelforth

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Bohemia Oaken


Se era para despertar curiosidade, conseguiu!!!
A cerveja mais elaborada da gigante indústria cervejeira no Brasil tinha como dilvulgação e marketing seu processo de produção quase manual ou artesanal. Basearam-se nisto, devido a visível trajetória das cervejas “manuais” do mercado nacional e sua franca expansão, por isso mesmo a Bohemia Oaken tinha um diferencial, apenas 8000 garrafas de 550 ml foram produzidas, que poderiam ser compradas apenas no site da Bohemia em kits que continham duas garrafas, duas taças, um conjunto de bolachas falando sobre a produção e tudo isso acondicionada em uma caixa de madeira toda trabalhada.

Cada kit custou R$ 85,00 e apesar do preço a cerveja se esgotou rapidamente, demonstrando a curiosidade/sede do consumidor por produtos novos. Os consumidores que conseguiram comprar um dos 4 mil kits disponíveis acompanharam todas as etapas do processo de produção de sua própria cerveja on line, ou recebendo mensagens de como estava o processo de produção.
O lançamento da Bohemia Oaken foi idealizado pela não menos famosa agência DM9DDB que criou uma peça tão artesanal quanto a cerveja para compor a campanha: uma litografia, técnica criada no século XVIII em que o desenho é feito em pedra com grafite e depois prensado sobre papéis especiais. São 6 mil anúncios que foram produzidos e recortado manualmente, veja o processo aqui e, um a um, foram prensados, numerados e autografados pela litógrafa Patrícia Motta.

A bela garrafa também é especial leva um tratamento especial, é jateada, isso lhe confere uma aparência fosca e aveludada, o rótulo também é muito bonito pois além da imagem que remete a madeira, a textura do papel contém relevos que lembram um pedaço de madeira, muito bacana.

A receita da Bohemia Oaken é do mestre cervejeiro Luciano Horn, que em sua produção colocou chips ou lascas de carvalho francês na maturação, muito se falou sobre a maturação em barris, mas não foi desta vez que tivemos um produto com esta complexidade, entretanto o resultado foi interessante, graças também aos lúpulos ingleses e maltes escuros europeus.


Cerveja: Bohemia Oaken
Apresentação: Garrafa 550ml.
Tipo: Lager
Álcool: 6%
Cor: Ruby, limpa, brilhante.
Espuma: Média formação, duradoura.
Aroma: Carvalho, malte, notas doces, leve defumado, pouco de lúpulo.
Paladar: Baixo corpo, malte, notas doces, algum defumado, médio amargor, leve torrado, suavemente seca, sensação residual com agradável dulçor e ligeira adstringência.
Comentário: O aroma surpreende muito mais que o paladar, ambos soam muito diferentes, o marketing agressivo fez com que a cerveja ficasse super valorizada, criando uma expectativa absurda, realmente todo o cuidado com embalagem, copo, kit e acompanhamento do processo foi muito bem feito, a cerveja em si é boa e correta, mas seu corpo peca, é muito ligeiro, suas notas torradas poderiam ser mais intensas e o aroma remetendo mais a madeira, mas com certeza se for vendida no mercado a um preço justo, vale a compra.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Old Tom


Foi em Stockport, precisamente em 29 de Setembro de 1838 que Frederic Robinson comprou um pub com fabricação própria de cerveja, este foi o início de uma empresa cervejeira que se tornou uma das maiores no Reino Unido. Agora já passa pela quinta e sexta geração da família, a empresa continua a desenvolver-se e ganhar prêmios pelo mundo.

Segundo um relato do Beerhunter Michael Jackson a atual fábrica de cerveja, foi construída na década de XX. Os sacos de malte são levantados por um equipamento que parece um elevador de passageiros e leva para o ultimo andar do prédio, aonde fica a “cozinha” da cervejaria. Os grãos passam por um moinho comprado em segunda mão quando a cervejaria foi construída, em seguida todos os processos ocorrem por gravidade, filtração, fervura, fermentação e maturação, ocorrem em andares diferentes. Estas fases quando acontecem são auxiliadas por escotilhas levantadas por correntes e equilibradas por contrapesos.

A Cervejaria produz 16 cervejas diferentes, mas a galinha dos ovos de ouro é a Old Tom que é produzida desde 1899 e ano passado ganhou no World Beer Awards como a melhor Dark Ale, em 2005 pela segunda vez ganhou um concurso produzido pela CAMRA como a melhor cerveja de inverno do Reino Unido.
A Old Tom tem o desenho de um gato serigrafado em sua embalagem. Segundo relatos também de Michael Jackson, a ligação do gato a cerveja diz respeito ao comum hábito que as cervejarias tinha no passado, em possuir um felino como animal de estimação, para assim eliminar ratos que atacavam os estoques de maltes. Em visita ao QG da OPUS em Florianópolis, o Murilo trouxe um exemplar desta bela cerveja que degustamos e deixo minhas impressões abaixo:
Cerveja: Old Tom
Apresentação: Garrafa 330ml.
Tipo: English Strong Darl Ale
Álcool: 8,5%
Cor: Castanho, marrom, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Malte, Chocolate, frutado, doce, leve torrado, traços de lúpulo.
Paladar: Ótimo corpo, malte, chocolate, leve doçura, licorosa, vinho do porto, frutado, picante, sensação residual com agradável e longo amargor equilibrado com notas doces.
Comentário: Cerveja excpecional, não é a toa que é famosa pelas suas qualidades, não é importada para o Brasil, mas fica a dica.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Feliz 2009 e Rodenbach Grand Cru

Bem amigos do oBIERcevando, passei por um momento de assumir novos desafios, planejar o ano de 2009 e claro degustar “algumas” cervejas, infelizmente alguma das inúmeras coisas do dia a dia teve que ficar para “depois”, optei pelo blog que ficou parado momentaneamente.
Primeiramente um ótimo 2009 a todos com muito sucesso e alegria, boas cervejas sempre, entretanto o ano para nós cervejeiros já entra com tensão, pois o nosso querido governo está aumentando consideravelmente a cobrança de IPI, PIS. COFINS, isto será abordado mais tarde com um post sobre o assunto e aviso que se não nos unirmos, vai tudo por goela abaixo.

Outra coisa é que em breve teremos uma novidade muito interessante e que agregará ainda mais este mercado cervejeiro que vai ter que continuar crescendo, logo será divulgada a novidade.

Mas vamos ao que interessa, para começar bem o ano, degustei mais um exemplar da Rodenbach, a cervejaria fica localizada em Roeselare, foi aberta em 1821 por Alexander Rodenbach, um homem de classe média que se tornou uma figura importante na Revolução Belga em 1830.
De 1836 a 1864 Regina Wauters, esposa de Pedro Rodenbach dirigiu a cervejaria, depois foi passada a Edward Rodenbach, o seu filho, sob os quais a cervejaria se desenvolveu e expandiu muito bem, acrescentando novo maquinário, novas caves para os tanques de carvalho.
A última pessoa da família Rodenbach a tocar a cervejaria foi Eugène, o filho de Edward. A cervejaria era propriedade familiar até que foi comprada pela Palm Breweries, em 1998.
A Rodenbach sofre fermentação com um misto de Fermento “Ale” e Fermento láctico, este último para dar acidez a cerveja, ele não produz álcool.

Os barris de carvalho desenvolvem papel primordial no processo de maturação. Dentro da cervejaria ainda se produz cada um exatamente como em 1821. Só madeira da melhor qualidade pode ser usada para produzir o barril e não pode pregar ou parafusar, tudo é feito através de encaixe.

Michael Jackson, o BeerHunter, em sua visita a fábrica concedeu a Rodenbach o título de "A cerveja mais refrescante do mundo" título gravado nas dependências da cervejaria.
Esta cerveja da Rodenbach é uma Flanders Red Ale, um estilo muito particular das cervejas belgas. Elas são famosas pelos seu distinto e acentuado paladar “difícil” que possui frutado, amargor, acidez e azedo, sabores que são criados por cepas especiais de levedura. São cervejas complexas e abaixo segue um pouco de minhas impressões.


Cerveja: Rodenbach Grand Cru
Apresentação: Garrafa 330ml.
Tipo: Flanders Red Ale
Álcool: 6%
Cor: Rubi, tons avermelhados, brilhante.
Espuma: Boa formação, queda lenta, duradoura.
Aroma: Fortes características de vinho, Acidez, madeira, Frutado (Maça verde, uva, cereja?).
Paladar: Médio corpo, azeda, ácida, malte, maça verde, leves notas adocicadas no início, muito carbonatada, sensação residual seca, adstringente, porém há uma pitada de doçura no finalzinho que é bastante agradável. Conforme a temperatura aumenta e perde-se gás o azedo diminui e as notas doces se destacam um pouco mais, deixando seu drinkability mais “fácil”.
Comentário: Excelente cerveja, parece que você está tomando um vinho. Sua alta carbonatação poderia ser menor, pois aliada a forte acidez e com as características azedas torna a cerveja um pouco mais difícil, com certeza desagrada a muitos, mas como falar que é ruim? É cerveja, não dá.
Torno a repetir as palavras do saudoso Michael Jackson: “-...procuro as qualidades escondidas em todas as cervejas, se julgasse uma cerveja exclusivamente pelos seus defeitos e impressões ruins nunca tomaria a melhor cerveja, e sim a menos pior...”.
Valeu Michael, e que este seja o dilema de todos os cervejeiros neste ano que começa.