sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Dado Bier Double Chocolate Stout

Bem amigos do oBIERcevando, após um breve período do mais puro ócio carnavalesco, retomamos as atividades e diga-se de passagem, com força total.

Após uma breve passagem pela terra natal, São Paulo, pude reencontrar amigos e degustar bons exemplares cervejeiros, uma destas degustações trouxe uma cerveja um tanto inusitada.
Divulgou-se mundialmente o “feito” da Cervejaria japonesa Sapporo ter elaborado uma receita de cerveja com chocolate em sua composição, bom isso já não era novidade para os cervejeiros caseiros, nem para a escola inglesa.

Ligado a isso, a Dado Bier, mais uma microcervejaria que está reconhecendo o trabalho do cervejeiro caseiro brasileiro, escalou uma dupla de peso, apesar dos dois serem pequenos, para ajudar a desenvolver uma receita que leve o bom e velho chocolate em sua formulação.
Ricardo Rosa e Mauro Nogueira, da Acerva Carioca, estão a frente da receita, prepararam uma Double Chocolate Stout, que obviamente leva chocolate na fórmula e impressiona pela sua complexidade e força.

O chopp já está sendo comercializado nos bares da Dado Bier em Porto Alegre, o preço é R$ 12,90 a taça, vale a pena cada um avaliar e tirar suas próprias conclusões sobre o produto.
O corpo denso é ótimo, o álcool apresenta-se de maneira persistente e traz sensação quente no paladar. Quando conversei com o Mauro sobre o produto ele comentou que foram feitos diversos testes, a idéia era algo como um licor de chocolate, denso, complexo, com potência alcoólica, mas que tivesse as características de uma cerveja, claro!

Os primeiros testes chegaram a inusitados 11,7% de álcool, o exemplar que degustei tinha 11,2%, porém quando chegar na versão engarrafada deverá ter em torno de 10,5% e provavelmente no segundo semestre deste ano esteja nos pontos de venda. O preço já causou discussão e certo descontentamento no consumidor, visto que poucos terão acesso e se tornará um produto bem limitado. Creio que seja melhor esperar o produto ser efetivamente lançado antes de qualquer conclusão, agradecimento ao caro Roberto Fonseca, abaixo segue impressões sobre o exemplar:
Cerveja: Dado Bier
Apresentação: Long Neck 355ml.
Tipo: Double Chocolate Stout
Alcool: 11,2%
Cor: Escura, leves tons avermelhados, leve turbidez, brilhante.
Espuma: Levemente escura, boa formação e duradoura.
Aroma: Complexo, álcool, malte, torrefação, café, chocolate.
Paladar: Ótimo corpo, levemente licorosa, boa carbonatação, notas doces, sensação quente vinda do álcool, torrefação, café, sensação residual quente, adstringente, seca.
Comentário: Gostaria de ter mais acesso ao produto, creio que não só eu....

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Jacobsen Vintage No.2. 2009




A Cervejaria Carlsberg, a quarta cervejaria do planeta em volume, divulgou nesta quarta-feira o lançamento da segunda edição da trilogia Jacobsen, que será vendida por 344 dólares ou aproximadamente R$ 825,00.
Com garrafa decorada com litografias do artista Marco Evaristti, a edição será limitada a 600 unidades, de 375 mililitros, sob o nome de "Jacobsen Vintage No.2. 2009".
A produção da cerveja especial é realizada sob o mais rigoroso segredo, assim como foi a primeira edição, Morten Ibsen responsável por sua fabricação, deu algumas dicas: "fermenta por 100 dias e é do tipo Baltic Porter, que pode envelhecer durante 50 anos, com data limite para consumo em 2059". Novamente a Vintage n º 2 é uma das cervejas mais caras do mundo.
A cerveja especial tem graduação alcoólica de 8,7% e apresenta aromas de "cevada, baunilha e cacau" que lhe dão "um caráter muito particular", segundo Ibsen.
"É adequada para se beber comendo ostras, mariscos, presunto e queijos fortes, assim como chocolates finos", revelou.

A primeira versão você pode conferir aqui.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Antoniusbier Rauchbier

Em uma das ultimas idas a São Paulo, o cordial Roberto Fonseca me presenteou com um exemplar até então conhecido por este humilde apreciador apenas pelo nome e pelos comentários no blog do Bob, fiquei bem feliz com o presente pois se tratava de uma cerveja do alemão Uwe Lüdke que a alguns anos trocou o cargo de diretor de multinacional pela criação de cabras e produção de queijos na cidade de Santo Antônio do Pinhal (SP), batizada Capralemão, além claro de suas produções cervejeiras intituladas Antoniusbier
Pude degustar a Antoniusbier Rauchbier, que Uwe em sua produção ao invés de comprar o malte já defumado, como a maioria dos cervejeiros, ele mesmo faz o processo de defumação, utilizando o fumegador do seu apiário como gerador de fumaça e ainda usa peroba e garapeira para fazer a defumação, gerando uma cerveja cheia de virtudes. Abaixo impressões da cerveja de mais um alquimista das panelas:



Cerveja: Antoniusbier
Apresentação: Garrafa 355ml.
Tipo: Rauchbier
Álcool: 4,5%
Cor: Marrom, turva, opaca.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Defumado, lúpulo, leve doce, malte.
Paladar: Médio corpo, defumado, lúpulo, amargor intenso, sensação residual adstringente com notas defumadas.
Comentário: Cerveja bem feita e com características de uma Rauchbier, poderia talvez ter um residual maior para destacar o defumado que ao final perde para o amargor que se destaca.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tuborg Pilsener


A United Breweries foi formada em 1891 por pequenas cervejarias na Dinamarca, a mais conhecida e antiga era a King's Brewhouse. O movimento foi instigado pelo industrial dinamarquês FC Tietgen.Em 1894 a Tuborg também entrou na organização, porém nos anos seguintes, uma onda de fusões e racionalizações conduziram a uma redução no número de pequenas cervejarias para três: a King's Brewhouse com duas fábricas em locais distintos e a Tuborg. Em 1970, a United Breweries e o Grupo Carlsberg se uniram. A empresa resultante da fusão continuou sendo chamada de United Breweries, porém foi alterado em 1987 pelo Grupo Carlsberg, afim de evitar confusão com outra cervejaria homônima.


O nome Tuborg está relacionado ao nome da rua aonde foi fundada a cervejaria em Copenhagem.Em diversos países da Europa é a lager mais vendida, hoje é identificada na maioria dos países do Leste da Europa como uma grande patrocinadora de grandes eventos musicais, como por exemplo no Brasil o Skol Beats.
Apesar de ser dinamarquesa a versão que degustamos veio da fábrica na Alemanha, que está localizada em Hamburgo. Não sei dizer se este exemplar é diferente de outras versões produzidas em outras regiões da Europa. O que admiro e creio valorizar significativamente o produto são os rótulos e achei este rótulo ótimo, pois tem uma velha pintura que chama a atenção, é uma arte no rótulo. A descrição do quadro diz "Der Mann durstige" que significa "homem sedento", quer algo mais perfeito? Abaixo segue impressões sobre o exemplar degustado:

Cerveja: Tuborg
Tipo: Pilsen Apresentação: Garrafa 350ml.
Álcool: 4,9%
Cor: Dourado, limpa, brilhante.
Espuma: Média formação, média a baixa duração.
Aroma: Leve oxidação, malte, notas de lúpulo.
Paladar: Bom corpo, malte, lúpulo, médio amargor, notas doces, sensação residual maltada com considerado aftertast amargo.
Comentário: Uma cerveja diferente das nossas, porém o rótulo trouxe melhores impressões do que propriamente a cerveja, mas seria fácil a cerveja do dia a dia.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pelforth Blond

A Cervejaria Pelforth é francesa e foi fundada em 1914 em Monsen Baroeul. A produção ficou interrompida durante a Segunda Guerra Mundial, reiniciando em 1950.
A cervejaria já teve outro nome, Pelican, mas em 1972 foi mudado para Pelforth.
Foi adquirida por outra Cervejaria Francesa em 1986,entretanto logo após foi adquirida pela Heineken International, em 1988.
A cervejaria fabrica a Pelforth Brune e a Pelforth Blond na qual pude degustar, segue abaixo impressões:


Cerveja: Pelforth
Apresentação: Long Neck 250ml.
Tipo: Classic American Pilsner
Álcool: 5,8%
Cor: Dourada, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, queda lenta, duradoura.
Aroma: Malte, lúpulo, leve adocicado, floral.
Paladar: Bom corpo, malte, lúpulo, amargor persistente, nota ligeiramente doce, sensação residual ligeiramente amarga.
Comentário: Esta é um popular lager Francesa, após ser adquirida pela Heineken seu consumo aumentou consideravelmente na Europa e apesar se ser européia optei classifica-la como uma Classic Americam Pilsner seguindo as minhas impressões com relação ao BJCP. Uma boa cerveja, entretanto sem muito a destacar.

Mais informações: Site da Pelforth

domingo, 25 de janeiro de 2009

Thor

Quando ganhei esta cerveja do Botto, fiz uma entrevista com ele aqui, não imaginava o que ela viria a se tornar, no inicio já havíamos experimentado e comprovado que era uma das melhores cervejas produzidas pelo caro amigo, e como todas as suas cervejas o nome é mitológico e seu nome foi escolhido a dedo.

“Thor é personagem clássico da mitologia nórdica-germânica, e, filho de Odin, representa força, com seu martelo mágico. Curiosamente há um conto que diz que Thor certa vez subiu até o Castelo do Gigante Hymir para dele roubar um enorme caldeirão, com o qual se fez cerveja e hidromel para presentear os Deuses e o povo. Thor tinha ainda uma carruagem puxada por dois bodes, Tanngnost e Tanngrisni. Nome melhor não poderia haver, logo, pra designar um estilo de cerveja tipicamente germânico, forte no malte e no álcool, chamado de doppelbock, ou em bom português dois bodes, ou duas vezes bode, tal como os dois bodes da carruagem do Thor mitológico”.
Estas são as palavras do Botto explicando sobre o nome desta bela cerveja, que já pode participar de uma competição em Cincinnati, Ohio, Estados Unidos, e conquistar a 3ª colocação na Bockfest Competition, um concurso tradicional norte americano voltado apenas para as cervejas do estilo Bock, daí ficou comprovado que era uma ótima cerveja.

Certa vez a cara Cilene Saorin tomou e comentou que a Thor tinha estrutura para ficar guardada durante algum tempo, e com uma dica desta não pensei duas vezes em pegar um dos exemplares e guardar, e assim depois de um ano e meio da sua produção e várias tentativas de furto deste ultimo exemplar, inclusive com um falso Xavier implorando pela garrafa, resolvi colocar a prova, tínhamos outros dois exemplares do estilo para uma comparação de diferenças, a complexidade contida da Thor impressionou a todos, até mesmo quiseram confirmar se ela era uma lager, pois é, era uma lager porém com uma complexidade de ALE. Seu rico aroma, seu corpo robusto, seu paladar equilibrado tento descrever abaixo:
Cerveja: Thor – Botto Bier
Apresentação: Garrafa 500ml.
Tipo: Doppelbock
Alcool: 9%
Cor: Escura, tons avermelhados, limpa, brilhante.
Espuma: Ótima formação, duradoura.
Aroma: Doce, malte, notas torradas, ameixa, leve álcool, complexo.
Paladar: Ótimo corpo, malte, chocolate, frutas maduras, torrado, quente do álcool, ótimo doce residual, sensação residual doce com leve torrefação.
Comentário: Os outros dois exemplares, um nacional e outro alemão, também ficaram em guarda porém durante um período menor de tempo, no mesmo local aonde a Thor permaneceu por um ano e meio, ambas haviam perdido muito as características, inclusive uma estava imprópria para consumo, ficou de fora. Outras pessoas que degustaram não acreditavam que a cerveja havia sido feita em uma panela, ficou guardada um ano e meio e tinha tanta complexidade em seu sabor, Botto faz o favor de fazer mais algumas levas desta cerveja, com certeza todos que tomarem irão agradecer. Que pena que este foi a ultima garrafa desta produção.....
Mais informações: Blog do Botto

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Bohemia Oaken


Se era para despertar curiosidade, conseguiu!!!
A cerveja mais elaborada da gigante indústria cervejeira no Brasil tinha como dilvulgação e marketing seu processo de produção quase manual ou artesanal. Basearam-se nisto, devido a visível trajetória das cervejas “manuais” do mercado nacional e sua franca expansão, por isso mesmo a Bohemia Oaken tinha um diferencial, apenas 8000 garrafas de 550 ml foram produzidas, que poderiam ser compradas apenas no site da Bohemia em kits que continham duas garrafas, duas taças, um conjunto de bolachas falando sobre a produção e tudo isso acondicionada em uma caixa de madeira toda trabalhada.

Cada kit custou R$ 85,00 e apesar do preço a cerveja se esgotou rapidamente, demonstrando a curiosidade/sede do consumidor por produtos novos. Os consumidores que conseguiram comprar um dos 4 mil kits disponíveis acompanharam todas as etapas do processo de produção de sua própria cerveja on line, ou recebendo mensagens de como estava o processo de produção.
O lançamento da Bohemia Oaken foi idealizado pela não menos famosa agência DM9DDB que criou uma peça tão artesanal quanto a cerveja para compor a campanha: uma litografia, técnica criada no século XVIII em que o desenho é feito em pedra com grafite e depois prensado sobre papéis especiais. São 6 mil anúncios que foram produzidos e recortado manualmente, veja o processo aqui e, um a um, foram prensados, numerados e autografados pela litógrafa Patrícia Motta.

A bela garrafa também é especial leva um tratamento especial, é jateada, isso lhe confere uma aparência fosca e aveludada, o rótulo também é muito bonito pois além da imagem que remete a madeira, a textura do papel contém relevos que lembram um pedaço de madeira, muito bacana.

A receita da Bohemia Oaken é do mestre cervejeiro Luciano Horn, que em sua produção colocou chips ou lascas de carvalho francês na maturação, muito se falou sobre a maturação em barris, mas não foi desta vez que tivemos um produto com esta complexidade, entretanto o resultado foi interessante, graças também aos lúpulos ingleses e maltes escuros europeus.


Cerveja: Bohemia Oaken
Apresentação: Garrafa 550ml.
Tipo: Lager
Álcool: 6%
Cor: Ruby, limpa, brilhante.
Espuma: Média formação, duradoura.
Aroma: Carvalho, malte, notas doces, leve defumado, pouco de lúpulo.
Paladar: Baixo corpo, malte, notas doces, algum defumado, médio amargor, leve torrado, suavemente seca, sensação residual com agradável dulçor e ligeira adstringência.
Comentário: O aroma surpreende muito mais que o paladar, ambos soam muito diferentes, o marketing agressivo fez com que a cerveja ficasse super valorizada, criando uma expectativa absurda, realmente todo o cuidado com embalagem, copo, kit e acompanhamento do processo foi muito bem feito, a cerveja em si é boa e correta, mas seu corpo peca, é muito ligeiro, suas notas torradas poderiam ser mais intensas e o aroma remetendo mais a madeira, mas com certeza se for vendida no mercado a um preço justo, vale a compra.

Foto: Fernando Willadino


Neste ultimo final de semana aconteceu o Planeta Atlântida, um evento musical que acontece desde 1998 em Santa Catarina e também no Rio Grande do Sul, um evento na qual até o memorável Tim Maia tocou e que reúne milhares de pessoas durante os dois dias de evento. Este ano foram diversas atrações durante a sexta e sabado, pude ir como convidado da Nova Schin que era um dos patrocinadores do evento, o camorote tinha um espaço muito interessante e com uma ótima presença de público, tive o prazer de conhecer diversas pessoas e conversar sobre o que quase não gostamos, cerveja! Posso adiantar que, conforme as conversas, este ano será de novidades e pelos rumores coisas boas virão, as cervejas “especiais” do grupo terão ainda mais atenção e chegarão a cada vez mais lugares, irão participar de mais eventos, e serão lançados novos produtos. Esperamos que os trabalhos feitos nas micros continuem brilhantes e que tragam ainda mais conhecimento ao consumidor brasileiro, tudo isso aliado a produtos de qualidade.