quarta-feira, 10 de junho de 2009

Estamos criando Monstros?

É fato que hoje o brasileiro começou a adquirir conhecimento sobre cerveja, sua história é muita rica, possui muitas características e variados estilos. Antes da compra de pequenas cervejarias pelas grandes cervejarias no passado, como a Serramalte do RS, a Caracu do interior de São Paulo, e até mesmo hoje estas aquisições “estratégicas” criaram um mercado sonolento, pouca coisa acontecendo e as indústrias com pouca preocupação em inovar.
Porém a responsabilidade deste mercado atual não é somente das indústrias, o consumidor brasileiro também “dormiu” na onda das aquisições, falo do grande público consumidor que se tornou um “gigante adormecido”.


O mercado saiu da sonolência com as inovadoras micro cervejarias que apareceram, a onda da cerveja artesanal invadiu os lares de todo o Brasil e o gigante adormecido também acordou, o interesse pelo público aumentou, foram surgindo cada vez mais produtos, algum mais populares entretanto com maior personalidade frente as sonolentas cervejas dispostas nos mercados e nisto o público começou a se interessar mais sobre o liquido, descobriu que existe diferença nas produções, existem cores diferentes, existem sabores distintos.


Com o despertar deste gigante adormecido surgiu um novo mercado, porém quase não se tinha informação sobre cervejas, as poucas informações que “surgiam” geralmente não eram 100% corretas e mesmo assim este novo público cervejeiro ficou “sofisticado”, quantas vezes se ouviu falar que estavam regando a planta com a cerveja que bebiam a três meses atrás, a partir daquele momento tudo que não fosse daquele padrão para cima era ruim.


É fato que nosso paladar fica mais apurado conforme vamos aprendendo e degustando novos produtos, vou citar um exemplo: determinada micro cervejaria brasileira que produz ótimas cervejas, inclusive com conquistas de medalhas em competições internacionais, é analisada com freqüência pelo paladar apurado destes novos “experts” no assunto, que constantemente afirmam veemente que o produto mudou e que nunca mais foi o mesmo.
Òbvio que não irei colocar minha mão no fogo por ninguém, mas o fato é que não podemos esquecer nossa evolução, nosso paladar fica apurado, o que foi novidade em paladar na primeira vez que tomou o produto X pode não ser mais depois da sétima ou oitava vez, pode ser menos intensa, então temos a impressão que aquela sensação hipnotizante da primeira vez não existe mais porque mudou a receita, mas na verdade o paladar evoluiu e começou a se acostumar com boas cervejas, outro ponto é que duas cervejas do mesmo estilo podem ser muito diferentes uma da outra e não que isso seja ruim, claro que não, porém não é produtivo falar que uma é boa outra é ruim, cada uma tem sua particularidade.


O paladar de cada um interfere muito neste tipo de avaliação, interferindo no trabalho da cervejaria que após muito tempo de trabalho e pesquisa tem sua marca e seus produtos “queimados” pois os experts afirmam que o produto é ruim, sendo que na realidade não agradou ao gosto pessoal, conseqüentemente saem falando que Cerveja X é uma porcaria.


O interessante é quando acompanhamos a cultura cervejeira de outros países, há um extremo cuidado por parte das pessoas que divulgam a cerveja em fazer comentários construtivos, isto faz com que o mercado evolua de forma consistente, pois quando há um produto fora de padrão, a reclamação é feita diretamente ao fabricante, que geralmente capta estas informações e tenta melhorar seu produto, isso mantém a marca ilesa, o produto muda e melhora graças aos comentários de quem degustou e o mercado tem cada vez melhores opções. Do que adianta apedrejar publicamente determinado produto, queimar uma marca, um trabalho, por mais que este ainda não esteja sendo feito perfeitamente? Muitas empresas fazem questão de ouvir seu consumidor, porque não criamos este hábito com a cerveja?

Hoje é corriqueiro ver o apedrejamento de diversas marcas ou estilos por cervejeiros que saíram da quantidade para qualidade, nós ainda estamos “crescendo” no aprendizado sobre cervejas, não adianta precocemente nos acharmos os donos da razão.

Tenho as palavras do eterno Michael Jackson como referência e não irei cansar de repeti-las que são: “...procuro as qualidades escondidas em todas as cervejas, se julgasse uma cerveja exclusivamente pelos seus defeitos e impressões ruins nunca tomaria a melhor cerveja, e sim a menos pior...”. Porque não tomamos como referência estas palavras, parar de falar mal de cerveja, claro que ninguém deve e nem conseguira gostar de todas, mas deixe claro que o seu paladar pessoal não gostou, tente identificar alguma característica da cerveja que agrade, alguma percepção tem que ser aproveitada seja ela boa ou ruim, nosso caminho com cerveja ainda é longo no Brasil e temos que cada vez mais aprender a gostar de cerveja.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Workshop em Joinville da Acerva Catarinense

Neste ultimo final de semana ocorreu na Cidadela Cultural Antarctiva o Workshop Produção de Cerveja Artesanal na cidade de Joinville em Santa Catarina.

Mais um vez os organizadores Rubens e Selvino deram show, estava tudo perfeito, os participantes ao chegar se dirigiam até a recepção, ali era feita a confirmação da inscrição, recebiam crachá e uma sacola personalizada feita exclusivamente para o Workshop, na sacola tinha: apostila sobre a produção, uma camiseta do evento, folder da Brasil Ways com os produtos, folder dos produtos da WE além de outros materiais. A Brasil Ways, assim como a WE outra vez apóiam mais um evento cervejeiro, organizado pela Acerva Catarinense.
Foi a WE que gentilmente cedeu os insumos da batelada que foi produzida durante o curso e também da cerveja feita antes do concurso para ser degustada pelos participantes, pois a mesma receita que estava sendo produzida foi servida para que os participantes degustarem.
Na realidade a participação de todos os apoiadores: Opa Bier, WE Consultoria, Brasil Ways, MasterBraü e o município de Joinville foram fundamentais para o sucesso do evento, agradecemos desde já em acreditar nesta cultura que irá trazer ainda mais alegrias e boas cervejas a todos.

O evento como programado começou às 10:00 com a palestra do Ivan e Diogo da Gräbenwasser, eles falaram sobre todo o processo de preparo da cerveja, em outro local da “antiga” fábrica da Antarctica estava palestrando o Cláudio Zastrow, mestre cervejeiro da Cervejaria Schornstein, falava sobre os estilos que irão concorrer no próximo Concurso Nacional da Acerva em Outubro no RJ, nesta palestra participaram os mais experientes, ou seja, aqueles que já produzem a algum tempo, foi uma ótima troca de informações, experiências e conhecimentos mais aprofundados, muitos puderam discutir os detalhes de suas criações junto aos mestres-cervejeiros profissionais que estavam presentes, além do Cláudio, assistiu e participou da palestra o Werner Emmel, profissional formado em Weihenstephan, proprietário da WE Consultoria, esta palestra acabou virando um grande bate papo, muito rico em informações.


Logo após eu fiz a palestra: " A exploração e o consumo de cervejas especiais: despertando novos sabores e sensações“ para o pessoal que estava acompanhando a brassagem, foi muito interessante a conversa, foram abordados alguns temas como escolas cervejeiras mundiais, o cenário cervejeiro no Brasil, principais diferenças de cerveja Artesanal e cerveja Industrial, mercado de cervejas especiais, entretanto o principal ponto abordado foi de sugerir que as pessoas encontrem primeiro características interessante nas cervejas e não defeitos, vejo que muitas pessoas que estão aprendendo a degustar cerveja tem reclamado muito sobre vários produtos, a idéia foi em deixar claro que gosto é particular, não adianta falar que Cerveja X é ruim, pois com certeza ela agrada a outros, isso é a idéia para criamos uma cultura cervejeira sadia, foi bem legal a recepetividade de todos, muito obrigado!


Depois tivemos a palestra do cervejeiro da Opa Bier o Elmar, que falou sobre: “O processo de produção cervejeiro: as diferenças e semelhanças entre a microcervejaria e a produção caseira” que trouxe informações muito pertinentes sobre as principais diferenças entre produções (Homebrew x Microcervejaria ).

Durante o dia foi feita uma visitação “externa” as dependências da Cervejaria Antarctica guiada por um dos convidados mais ilustres do dia, o Sr. Curt Zastrow que trabalhou durante 35 anos na fábrica e tem memoráveis lembranças de todas as dependências, explicando cada detalhe da fábrica, uma volta ao passado e que fez pensar o porque do Brasil dispensar tanto sua cultura, edificações históricas caindo aos pedaços, uma grande fábrica de cerveja jogada ao relento, na antiga cozinha da fábrica houve diversos arrombamentos para roubar o cobre das panelas, encanamentos, etc. A visitação teve que ser externa pois algumas dependências ficam fechadas, durante as fortes chuvas no estado muitas partes do telhado desabaram por falta de cuidado, enfim, somente com a aula do Sr. Curt para compensar isso.


Em meio a isto tudo, a degustação das cervejas “testes” da Opa Bier, das cervejas produzidas pelos próprios cervejeiros presentes, foi uma aula de sabores e percepções, e o clima formado entre um local histórico no cenário cervejeiro nacional e a empolgação de todos em divulgar e fazer com que este mercado cresça cada vez mais foi perfeito, a Acerva Catarinense mais uma vez mostra seu potencial e a dedicação de seus membros. No mês de Agosto tem mais, o próximo Workshop será realizado em Florianópolis, com data e local a definir, conforme forem sendo definidos detalhes do evento passaremos mais informações, abaixo alguma fotos do Workshop em Joinville.

A recepção do evento, com barracas cedidas pela Opa Bier, na primeira tinha a venda souvenirs da Opa Bier, já na segunda barraca estavam as cervejas para serem degustadas no evento.


Enquanto o Ivan falava sobre o processo para os participantes, o Diogo ia fazendo o processo junto a panela.




Vista da "rua" principal na fábrica, no prédio maior, aonde há duas chaminés, ficava a cozinha da cervejaria, a outra chaminé de tijolinho a esquerda na foto, era das caldeiras.




Foto tirada pela janela do prédio onde demonstra o descaso com o patrimônio, a cozinha está completamente abandonada, uma pena, pois ela lembra muito as cervejarias européias, algumas ainda utilizam suas antigas cozinhas, outras conservaram e utilizam para museu da cervejaria, acorda município, proteja sua história.



Este humilde blogueiro com o respeitado Curt Zastrow, que durante 35 anos trabalhou na fábrica que foi realizado o evento, hoje ele ainda nos presenteia com sua produções pela Zehn Bier. Podemos dizer que este modesto senhor faz parte da história da cerveja no Brasil.



Outra foto que mostra o descaso com toda a fábrica, a cozinha foi diversas vezes furtada, levaram tudo o que podiam, mas o pior é que estão levando a história da cerveja no Brasil.



A alegria estampanda nos rostos dentro do "Expresso Acerva" que veio de Florianópolis, passou em Blumenau rumo a Joinville, claro que a famosa chopeira estava lá

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Malheur 12º

A Cervejaria De Landtsheer está localizada na pequena cidade de Buggenhout na Bélgica.
Produzindo cerveja no mesmo local que seu avô e bisavô, Manu Landtsheer criou uma bem sucedida e inovadora cervejaria em apenas nove anos, após assumir as rédeas.
A cervejaria produz a marca Malheur, que possui uma gama de excelentes cervejas, sua linha de cervejas “claras” são intituladas de: 6, 8 e 10, e uma cerveja “escura” que é a 12º. As cervejas possuem a mesma quantidade de álcool que os seus “títulos”. Apenas as flores “in natura” do lúpulo são utilizadas em seu preparo, as variedades são Hallertau, Saaz e Styrian. As cervejas são filtradas porém refermentadas na garrafa, trazendo certa “turbidez” as mesmas.

A De Landtsheer é também umas das únicas cervejarias a produzir cervejas pelo método champenoise, a Malheur Biére Brut, Malheur Dark Brut que é produzida a partir da Malheur 12º e a Malheur Cuvée Royale.

A cerveja Malheur 12° ano passado ganhou uma medalha de ouro no European Beer Star Award 2008 na categoria belga-Style Dubbel. Daí aparece a dúvida, uma cerveja com seus potentes 12% poderia concorrer na categoria Dubbel?

Sua embalagem discreta e reduzida passou por mudanças recentes, a embalagem que está na foto acima foi alterada, o rótulo mudou, a quantidade de 250ml. passou para 330ml, ainda bem, e alguns especialistas acham que o produto também mudou, mas diferente daqui, os “especialistas” dizem apenas a característica que encontraram de diferente, não reclamaram e muito menos criticaram a cervejaria, a mudança foi a leve diminuição no lúpulo, isso segundo degustadores belgas.
Infelizmente ainda não está disponível no Brasil, abaixo impressões:


Cerveja: Malheur 12º
Apresentação: Long Neck 250ml.
Tipo: Quadrupel??
Álcool: 12%
Cor: Castanho escuro, tons avermelhados, levemente turva, brilhante.
Espuma: Ótima formação, duradoura.
Aroma: Doce, notas torrefação, álcool, nozes, chocolate, complexo.
Paladar: Ótimo corpo, agradável dulçor, quente, picante, frutas escuras, álcool, notas levemente torradas, baixo amargor, licorosa, algum defumado, sensação residual amarga com toque picante do alcool.
Comentário: O drinkability desta cerveja é bastante elevado, ou melhor, perigosamente elevado, pois os 12% não são percebidos, gostaria de ter mais alguns exemplares para guardar durante alguns anos, deve ocorrer uma evolução muito boa, pois este agradável dulçor que possui tende a diminuir trazendo novas características.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Feijoada & Weizenbock



A feijoada é um dos pratos mais típicos da culinária brasileira, o prato consiste na mistura de feijão preto com carnes de porco, geralmente acompanha farofa, entre outros ingredientes.
Reza a lenda que na época da escravidão, os senhores de escravos não comiam as partes menos nobres do porco e davam essas partes rejeitadas aos seus escravos.
Desta forma, os escravos pegavam estas partes do porco e acrescentavam ao feijão, cozinhando tudo em um mesmo recipiente, além de adicionar água, sal e pimentas.

Entretanto outra versão defende que a origem da feijoada vem a partir de influências européias. Alguns crêem que sua origem tem a ver com receitas portuguesas, das regiões da Estremadura, das Beiras e de Trás-os-Montes e Alto Douro, que misturam feijão de vários tipos, lingüiças, orelhas e pé de porco ou ainda pode ter sido influenciada por outros pratos europeus, como o cassoulet francês, que também leva feijão no seu preparo, na Espanha existe o cozido madrileño, já na Itália a “casseruola” ou "casserola" estes preparados com grão-de-bico.

Mas como o negócio aqui é cerveja, vamos harmonizar duas paixões nacionais a boa e velha feijoada junto de nossa respeitada cerveja, o exemplar escolhido foi a Aventinus uma bela Weizenbock que traz ótimas características para acrescentar ao prato.

O estilo Weizenbock é um dos que aprecio bastante, a lenda diz que nos mosteiros medievais germânicos, se produzia uma cerveja forte e nutritiva que ajudava os monges a suportar os períodos de jejum, diga-se período da páscoa ou quaresma, já que durante este tempo era proibido ingerir comida sólida, uma destas cervejas era a Weizenbock.
A Weizenbock é a versão forte de uma Weissbier. Geralmente é feita com pelo menos 50% de trigo. Podem ser pálidas e turvas, e são ligeiramente caramelizadas, geralmente sua cor varia do avermelhado ao castanho escuro, entretanto toda regra a uma exceção, temos um exemplo recente que é a Weihenstephaner Vitus, é uma Weizenbock, porém tem sua cor mais clara, puxada mais para o dourado.Embora as cervejas do estilo Bock sejam lagers, ou seja, de baixa fermentação, as Weizenbocks são Ale’s, de alta fermentação.

A harmonização ocorreu de forma perfeita, um chamava ao outro, após a ingestão do alimento, vinha o gole da cerveja, a feijoada tem traços picantes, boa carga de gordura, é salgada e tem toques defumados, a cerveja com seu dulçor harmonizava por contraste quebrando harmoniosamente o salgado da feijoada, a gordura do prato tinha um alto teor alcoólico pela frente que limpava o paladar, este alto teor também realçava ligeiramente o picante do prato que quando recebia as notas frutadas presentes na cerveja criava harmonia, um suavizando o outro e por final as notas defumadas do prato tinham como aliado as agradáveis notas de torrefação da cerveja.


Uma ótima experiência, ainda mais com a queda de temperatura desta época, fica perfeita, já que o prato esquenta, por isso na próxima feijoada, ao invés da velha caipirinha, por que não uma weizenbock?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

WORKSHOP PRODUÇÃO DE CERVEJA ARTESANAL

Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina, reconhecida por sediar o maior Festival de Dança do mundo e marcada pela força da indústria e suas raízes européias, será palco de um grande encontro de cervejeiros artesanais no próximo dia 30 de maio. O espaço especialmente escolhido para abrigar este evento foi o complexo da Cidadela Cultural Antarctica, instalado junto ao patrimônio da famosa fábrica da Cervejaria Antarctica de Joinville, onde os participantes também terão a oportunidade de conhecer um pouco melhor os fatos e a importância deste valioso fragmento da história cervejeira local e nacional.

O encontro, intitulado Workshop Produção de Cerveja Artesanal, faz parte de um circuito regional iniciado em 2007 e trata-se de uma iniciativa da ACervA Catarinense, com o apoio de entidades municipais e estaduais, cervejarias e empresas do setor, e tem por objetivo difundir e aprimorar o conhecimento das técnicas para produção de cerveja artesanal no estado de Santa Catarina, além de contribuir para a divulgação e o fortalecimento da cultura cervejeira no Brasil.

O objetivo do evento é ser uma grande confraternização entre cervejeiros, trazendo workshop de produção de cervejas e palestras com personalidades do universo cervejeiro, onde destacam-se:

- Workshop de produção de uma cerveja artesanal na técnica “all grain”, orientado para iniciantes e conduzido pela dupla de cervejeiros artesanais de Joinville, ganhadores do II Concurso Mestre-Cervejeiro Eisenbahn, Ivan G. Steinbach e Diogo H. Züge;
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- Workshop de produção de uma cerveja artesanal utilizando “extrato de malte”,especialmente apresentada por membros da ACervA Paranaense;
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- Palestras técnicas e culturais à respeito do universo da cerveja:
· Elmar Schmitz, mestre-cervejeiro da microcervejaria OPA Bier de Joinville;
· Cláudio Zastrow, mestre-cervejeiro da microcervejaria Schornstein de Pomerode;
· Paulo Feijão, cervejólogo e autor do blog especializado oBIERcevando.

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Além desta extensa e imperdível agenda, haverá degustação de cervejas especiais produzidas e oferecidas pelos cervejeiros artesanais e comerciais; exposição e comercialização de produtos, matérias-primas e equipamentos; sorteio de brindes, entrega de apostilas e certificados aos participantes. O evento é aberto ao público e se você ficou interessado, as inscrições serão realizadas exclusivamente pela internet, no endereço http://www.workshopcervejeiro.com.br/, mas é bom correr, porque as vagas serão limitadas em apenas 50 participantes.
A Associação dos Cervejeiros Artesanais de Santa Catarina, ou ACervA Catarinense, foi fundada no dia 18 de maio de 2008 no sentido de reunir e organizar as pessoas que exercem e preservam a arte da produção artesanal de cerveja – bem como seus entusiastas e demais interessados – e trata-se de uma entidade sem fins lucrativos, que visa incentivar o resgate histórico e promover o desenvolvimento da cultura cervejeira, sobretudo da cerveja artesanal em Santa Catarina e no Brasil, promovendo encontros, palestras, cursos, workshops, concursos, degustações e harmonizações dos mais variados tipos e estilos de cervejas, sejam eles já conhecidos ou frutos da criatividade, estudo e experimentação dos contemporâneos artesãos da cerveja.
SERVIÇO: Workshop Produção de Cerveja Artesanal

Público: Pessoas interessadas em conhecer, aprender, aperfeiçoar e compartilhar conhecimento sobre as técnicas para fabricação de cerveja artesanal e explorar o seu rico universo cultural.

Realização: ACervA Catarinense – Associação dos Cervejeiros Artesanais de Santa Catarina.

Parceiros: FUNDAMAS – Fundação Municipal Albano Schmidt; CONURB – Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville; ACASC – Associação das Cervejarias Artesanais de Santa Catarina; Microcervejaria OPA Bier; WE Consultoria Assessoria e Representação; BrazilWays International Commerce; Master Brau Suprimentos para Cervejarias.


Data: 30 de maio de 2009
Horário: das 10 às 18 horas
Local: Cidadela Cultural Antarctica
Rua Quinze de Novembro, 1445 – Bairro América – Joinville – SC
Inscrições: http://www.workshopcervejeiro.com.br/

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Disque Chopp Zehn Bier


Semana passada a cervejaria ZeHn Bier de Brusque iniciou um trabalho exclusivo para a cidade de Blumenau, inaugurou um novo ponto de vendas, com disque entrega na cidade.
O escritório e depósito funcionará na Rua Uruguai, 471, no bairro Ponta Aguda, perto da ponte que atravessa para o centro da cidade, o local além de toda infra estrutura para armazenamento de barris de chopp e garrafas, conta com um pequeno espaço que possui geladeira com os produtos da Zehn Bier, copos e pequenas mesas que possibilitam ao cliente fazer uma degustação no local. Os pedidos poderão ser feitos no local ou ainda pelo telefone (47) 3035-3575.
A estratégia em atuar em mais municípios de Santa Catarina é um processo natural do crescimento da cervejaria e do mercado, Guilherme, Gerente da cervejaria conta que a abertura do ponto em Blumenau atende uma parcela do consumidor residencial que solicitava o chopp para degustar em casa, nas festas de familia e devido a distância era complicado atende-los, agora com este ponto de atuação em Blumenau, o município e as cidades vizinhas terão atendimento facilitado.
Fachada no novo ponto Zehn Bier em Blumenau.

A Zehn Bier vem desenvolvendo desde o final de 2007 um crescimento planejado, com isso adquiriu nova máquina engarrafadora, com capacidade para trabalhar tanto com long necks (355ml) ou com as tradicionais garrafas de 600ml, com este novo equipamento a fábrica agora tem capacidade para engarrafar mil garrafas por hora contra 240 do equipamento anterior.

Fica mais uma opção de boa cerveja em Blumenau.

Disque Chopp Zehn Bier
Rua Uruguai, 471
Ponta Agua - Blumenau
Telefone: (47) 3035-3575

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn - Gräbenwasser

Ontem tive o prazer de conversar pessoalmente com duas figuras que hoje são conhecidas nacionalmente no cenário Homebrew, são eles: Ivan Guilherme Steinbach e o primo Diogo Zuge vencedores do II Concurso Mestre Cervejeiro da Eisenbahn, o estilo escolhido para este concurso foi o Robust Porter.

Estes dois cervejeiros caseiros de Joinville em Santa Catarina, resolveram se arriscar e trataram de fazer a Robust Porter para o concurso, as produções são feitas na casa da mãe do Diogo, a cervejaria deles já tem nome, é a Gräbenwasser ou então traduzindo “Água de Sargeta”, isso porque o pai do Ivan, em uma primeira produção não tão bem sucedida dos dois, tomou e não gostou, dizendo que parecia “água de sargeta” dai o “apelido” pegou. Mas o tempo passou e junto a experiência aumentou, devido a outras diversas produções, uma destas foi a Joinville Porter que chegará aos mercados em breve, assim como no concurso anterior virá no rótulo as assinaturas dos dois.

Outro detalhe é que a produção será embalada em garrafas de 375ml com rolha, assim como foi a Dama do Lago, do Botto que venceu ano retrasado.
Pois é, a cerveja mal começou o seu processo natural e já deixa uma polêmica, seria mesmo necessário colocar uma cerveja deste estilo em uma garrafa com rolha?
Tudo bem que é uma embalagem muito bonita, a inglesa Meantime disponibiliza sua Porter neste tipo de embalagem, mas aqui o resultado tende a ser, infelizmente, negativo, o preço será maior devido ao custo da embalagem e conseqüentemente menos pessoas degustarão essa excelente cerveja da Gräbenwasser, será que uma long neck com um belo rótulo, um rótulo diferente já não seria suficiente para demonstrar que é um produto diferenciado? Conseqüentemente o custo seria menos, deixando o preço mais enxuto. De qualquer forma é esperar para ver, o produto estará em breve pronto e deixa a todos ansiosos e sedentos pelo liquido, abaixo um rápida entrevista que fiz com eles na Eisenbahn depois do processo:

Ivan e Diogo depois da produção no bar da Eisenbahn.


oBIERcevando - É melhor produzir cerveja em casa ou em uma fábrica?


IvanO processo é o mesmo, óbvio que em proporções diferentes, apesar de parte do processo ser automatizado ainda há etapas que precisam ser acompanhadas de perto, com toda aquela atenção para que fique tudo certo.
DiogoSem dúvida o lado bom da coisa é depois não ter que limpar panela, dispensar todo aquele bagaço e nem ter que ficar ouvindo a esposa reclamando de toda a bagunça.

oBIERcevando - E como ficou esta batelada da Joinville Porter na Eisenbahn?

IvanO mosto ficou muito parecido com o que produzimos para o concurso, agora é esperar a fermentação e maturação, mas creio que vai ficar muito boa.

oBIERcevando – E quanto tempo levará para a cerveja ficar pronta e ser comercializada?

IvanConforme a nossa receita e o informado pelo pessoal da Eisenbahn em torno de 25 a 30 dias.

oBIERcevando - O que representou esta vitória para vocês?

IvanA conquista de um sonho, pois a Eisenbahn sempre foi referência para nós na produção de ótimas cervejas, além do mais fica aqui no estado, então realmente ficamos extremamente felizes.
Posso dizer que hoje foi muito importante ganhar este concurso, falta agora ganhar também o concurso nacional das Acervas.

DiogoNunca tínhamos produzido uma Robust Porter, produzimos exclusivamente para o concurso, foi uma única batelada, detalhe que não tínhamos muita referência sobre o estilo, foi na cara e na coragem mesmo, pesquisamos bastante e deu certo.


oBIERcevando - Qual estilo de cerveja vocês gostariam de ter produzido hoje aqui na Eisenbahn?

Ivan/DiogoCom certeza uma Imperial IPA ou então uma Russian Imperial Stout, são cervejas com presença e são estilos que apreciamos bastante.

oBIERcevando - Bate Bola:

Ivan
Malte: Carared
Aroma: Lúpulo
Escola: Inglesa
Copo: da Weinachts Ale
Cervejaria: Gräbenwasser
Lúpulo: East kent Goldings
Estilo: IPA

Diogo:
Malte: Carafa
Aroma: Lúpulo
Escola: Inglesa
Copo: da Fünf ou Cinco da Eisenbahn
Cervejaria: Gräbenwasser
Lúpulo: Cascade
Estilo: IPA

oBIERcevando - A pergunta de praxe, qual cerveja gostariam muito de estar degustando agora?

IvanA 120 Minute IPA da cervejaria americana Dogfish Head.
DiogoEu gostaria de degustar também a 90 Minute IPA da Dogfish.


Parabenizo aos vencedores por esta grande conquista, estamos ansiosos pelo lançamento do produto e que venham ainda mais concursos deste tipo para que mais pessoas possam ter esta sensação única de ter sua assinatura no rótulo de uma cerveja nacional.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Cervejas Boon

A importadora Bier e Wein, importadora com maior número de rótulos e estilos disponíveis no Brasil, traz a nós amantes do nobre liqúido mais uma opção, até então desconhecida pela maioria, são as cervejas estilo lambic da Cervejaria Boon, que hoje pertence ao grupo belga Palm que relatei a história de sucesso aqui.
As cervejas da Boon são produzidas através de fermentação espontânea, depois são maturadas em tonéis de carvalho. Os produtos da cervejaria são os seguintes:

- Oude Geuze Boon: Fermentação espontânea e maturação de 2 anos em barris de carvalho.

- Geuze Mariage Parfait: Híbrido da seleção dos melhores barris com lambics pelo mestre cervejeiro. A mistura da Mariage Parfait é constituída por 90% de lambic com pelo menos dois anos, cerca de 5% de cerveja com mais de de 3 anos e 5% com lambic jovens, que fornecem açúcares fermentáveis e carbonatação, esta foi um dos exemplares degustados abaixo.

- Faro Perte Totale: 50% lambic “velha” e 50% de lambic “jovem” com a adição de açúcar e especiarias.

- Kriek Boon: Mais uma cerveja de fermentação espontânea, elaborada a partir de novas e antigas lambics, como as outras matura em barris de carvalho, são utilizadas 240 gramas de cerejas por litro de cerveja. É adicionada cereja em barris com no mínimo 6 meses de fermentação/maturação, utilizando o processo de maceração. Este método é conhecido na cultura do vinho e exige que a fruta seja adicionada inteira, no momento da fermentação da cerveja (fase fria).


- Oude Kriek Boon: Utiliza os mesmos métodos das outras cervejas, porém leva 300 gramas por litro de cerejas e tem segunda fermentação na garrafa.


- Framboise Boon: Mais uma cerveja de fermentação espontânea, elaborada a partir de novas e antigas lambics e matura em barris de carvalho, são utilizadas 250 gramas de framboesa por litro de cerveja.


- Cerveja Devils: é uma cerveja escura, rementendo as cervejas produzidas em abadia, utiliza maltes especiais, açúcar mascavo e 2 tipos de lúpulo aromático.

Segue abaixo os dois estilos recém aportados no Brasil, vale a pena aprofundar o conhecimento neste estilo tipicamente belga.

Cerveja: Kriek Boon
Apresentação: Garrafa 375ml.
Tipo: Fruit Lambic
Álcool: 4%
Cor: Rubi, limpa, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Cereja, doce, ligeiramente ácido, notas azedas.
Paladar: Médio corpo, boa carbonatação, frisante, doce, leve azedo, notas acidas, sensação residual azeda e ligeiramente doce.
Comentário: Cerveja com final persistente, seu dulçor é equilibrado com as notas azedas e ácidas do estilo, bom exemplar, merece um repeteco, porém acompanhando um doce, como uma torta de queijo coberta com amoras.


Cerveja: Boon Oude Geuze Mariage Parfait
Apresentação: Garrafa 375ml.
Tipo: Geuze
Álcool: 8%
Cor: Alaranjada, dourada, leve turbidez, brilhante.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Frutado (laranja, uva), leve doce, azedo, madeira, complexo.
Paladar: Bom corpo, cítrico, azedo equilibrado, ácida, adstringente, leve doce, sensação residual seca, ácida.
Comentário: Cerveja com alto teor alcoólico, porém muito bem inserido no conjunto, lembra bastante um bom vinho branco, é uma cerveja que ou a ame ou a odeie, o gosto pessoal de cada um determina. Só não deve deixar de degusta-la porque dizem que é ruim, tente identificar características que agradem ao seu paladar, vale lembrar que são cervejas únicas no mundo.

Mais informações: Bier & Wein