Porém a responsabilidade deste mercado atual não é somente das indústrias, o consumidor brasileiro também “dormiu” na onda das aquisições, falo do grande público consumidor que se tornou um “gigante adormecido”.
O mercado saiu da sonolência com as inovadoras micro cervejarias que apareceram, a onda da cerveja artesanal invadiu os lares de todo o Brasil e o gigante adormecido também acordou, o interesse pelo público aumentou, foram surgindo cada vez mais produtos, algum mais populares entretanto com maior personalidade frente as sonolentas cervejas dispostas nos mercados e nisto o público começou a se interessar mais sobre o liquido, descobriu que existe diferença nas produções, existem cores diferentes, existem sabores distintos.
Com o despertar deste gigante adormecido surgiu um novo mercado, porém quase não se tinha informação sobre cervejas, as poucas informações que “surgiam” geralmente não eram 100% corretas e mesmo assim este novo público cervejeiro ficou “sofisticado”, quantas vezes se ouviu falar que estavam regando a planta com a cerveja que bebiam a três meses atrás, a partir daquele momento tudo que não fosse daquele padrão para cima era ruim.
É fato que nosso paladar fica mais apurado conforme vamos aprendendo e degustando novos produtos, vou citar um exemplo: determinada micro cervejaria brasileira que produz ótimas cervejas, inclusive com conquistas de medalhas em competições internacionais, é analisada com freqüência pelo paladar apurado destes novos “experts” no assunto, que constantemente afirmam veemente que o produto mudou e que nunca mais foi o mesmo.
Òbvio que não irei colocar minha mão no fogo por ninguém, mas o fato é que não podemos esquecer nossa evolução, nosso paladar fica apurado, o que foi novidade em paladar na primeira vez que tomou o produto X pode não ser mais depois da sétima ou oitava vez, pode ser menos intensa, então temos a impressão que aquela sensação hipnotizante da primeira vez não existe mais porque mudou a receita, mas na verdade o paladar evoluiu e começou a se acostumar com boas cervejas, outro ponto é que duas cervejas do mesmo estilo podem ser muito diferentes uma da outra e não que isso seja ruim, claro que não, porém não é produtivo falar que uma é boa outra é ruim, cada uma tem sua particularidade.
O paladar de cada um interfere muito neste tipo de avaliação, interferindo no trabalho da cervejaria que após muito tempo de trabalho e pesquisa tem sua marca e seus produtos “queimados” pois os experts afirmam que o produto é ruim, sendo que na realidade não agradou ao gosto pessoal, conseqüentemente saem falando que Cerveja X é uma porcaria.
O interessante é quando acompanhamos a cultura cervejeira de outros países, há um extremo cuidado por parte das pessoas que divulgam a cerveja em fazer comentários construtivos, isto faz com que o mercado evolua de forma consistente, pois quando há um produto fora de padrão, a reclamação é feita diretamente ao fabricante, que geralmente capta estas informações e tenta melhorar seu produto, isso mantém a marca ilesa, o produto muda e melhora graças aos comentários de quem degustou e o mercado tem cada vez melhores opções. Do que adianta apedrejar publicamente determinado produto, queimar uma marca, um trabalho, por mais que este ainda não esteja sendo feito perfeitamente? Muitas empresas fazem questão de ouvir seu consumidor, porque não criamos este hábito com a cerveja?
Hoje é corriqueiro ver o apedrejamento de diversas marcas ou estilos por cervejeiros que saíram da quantidade para qualidade, nós ainda estamos “crescendo” no aprendizado sobre cervejas, não adianta precocemente nos acharmos os donos da razão.
Tenho as palavras do eterno Michael Jackson como referência e não irei cansar de repeti-las que são: “...procuro as qualidades escondidas em todas as cervejas, se julgasse uma cerveja exclusivamente pelos seus defeitos e impressões ruins nunca tomaria a melhor cerveja, e sim a menos pior...”. Porque não tomamos como referência estas palavras, parar de falar mal de cerveja, claro que ninguém deve e nem conseguira gostar de todas, mas deixe claro que o seu paladar pessoal não gostou, tente identificar alguma característica da cerveja que agrade, alguma percepção tem que ser aproveitada seja ela boa ou ruim, nosso caminho com cerveja ainda é longo no Brasil e temos que cada vez mais aprender a gostar de cerveja.


Enquanto o Ivan falava sobre o processo para os participantes, o Diogo ia fazendo o processo junto a panela.
Foto tirada pela janela do prédio onde demonstra o descaso com o patrimônio, a cozinha está completamente abandonada, uma pena, pois ela lembra muito as cervejarias européias, algumas ainda utilizam suas antigas cozinhas, outras conservaram e utilizam para museu da cervejaria, acorda município, proteja sua história.
Outra foto que mostra o descaso com toda a fábrica, a cozinha foi diversas vezes furtada, levaram tudo o que podiam, mas o pior é que estão levando a história da cerveja no Brasil.
A alegria estampanda nos rostos dentro do "Expresso Acerva" que veio de Florianópolis, passou em Blumenau rumo a Joinville, claro que a famosa chopeira estava lá







Cerveja: Kriek Boon