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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Desfile das Campeãs - Weizenbock's

A Weizenbock é a versão forte de uma Weissbier. Geralmente é feita com pelo menos 50% de trigo. Podem ser pálidas e turvas, e são ligeiramente caramelizadas, geralmente sua cor varia do avermelhado ao castanho mais escuro, entretanto toda regra a uma exceção, temos um exemplo recente da Weihenstephaner Vitus, que é um weizenbock, porém tem uma cor mais clara, puxada para o dourado.
Embora as cervejas Bock sejam lagers, ou seja, de baixa fermentação, as Weizenbocks são todas ales, de alta fermentação.
São fermentadas com uma levedura especial de weissbier que dá a bebida notas de cravo, banana, misturado com o alto teor alcoólico e os tons caramelizados.
Abaixo uma degustação com duas cervejas do estilo Weizenbock, estas duas nos últimos concursos internacionais se destacaram, no final do ano passado no European Beer Stars a Aventinus ficou com o Ouro, e a Eisenbahn com a medalha de Bronze, mostrando seu potencial, este ano no Australian International Beer Awards a situação se inverteu a Eisenbahn ficou com a Prata e a Aventinus com o bronze.

A Aventinus foi elaborada em 1907 por Mathilde Schneider, desde então vem levando diversos concursos cervejeiros, se tornando uma referência no estilo, hoje é muito conceituada e se tornou figura carimbada no pódium de World Beer Cup, Australian International Beer Awards, European Beer Stars entre outros. E desde 2007 é possível encontrá-la a venda no Brasil.

A Eisenbahn Weizenbock dispensa apresentações, por sorte a temos produzida aqui no Brasil, há talvez ainda dificuldade de encontrá-la em todas as regiões, mas no site da Eisenbahn é possível comprá-la, além das medalhas conquistadas, hoje a Eisenbahn Weizenbock é citada na edição 2008 do BJCP como referência mundial para o estilo. Abaixo impressões.

Cerveja: Eisenbahn
Apresentação: Long Neck 355ml.
Tipo: Weizenbock
Álcool: 8%
Cor: Avermelhada escura, turva.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Torrefação, banana, caramelo, leve álcool.
Paladar: Bom corpo, banana, torrefação, médio a baixo amargor, carbonatada, aveludada, sensação residual caramelizada, doce.
Comentário: Ótima cerveja, complexa, leva seis tipos de malte em sua receita, não é a toa que está entre as melhores do mundo.
Cerveja: Aventinus
Apresentação: Garrafa 500ml.
Tipo: Weizenbock
Álcool: 8,2%
Cor: Castanho escuro, turva.
Espuma: Boa formação, duradoura.
Aroma: Banana, torrefação, caramelizado, chocolate.
Paladar: Bom corpo, banana, torrefação, passas, médio amargor, notas álcool, carbonatada, sensação residual caramelizada, doce.
Comentário: Cerveja excepcional de qualidade comprovada, ambas tem características muitos parecidas, particularmente achei que a diferença existe apenas na cor de uma para outra, a Aventinus é um pouco mais escura, e no paladar a Aventinus apresenta tons mais caramelizados, levemente mais “doce”, ambas são perfeitas seguindo fielmente o estilo, farei novamente esta degustação colocando as duas grandes campeãs juntas, e você caro leitor já fez esta degustação?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Witbier

Chamada Biere Blanche em francês e Witbier (ou simplesmente Wit) em Flamengo, é uma cerveja dourada pálida, refrescante, com sedimentos e elevada carbonatação. Com malte, malte de trigo e a falta de filtração não é nenhuma surpresa que tenha algumas semelhanças com a alemã HefeWeiss. A maior diferença entre Wit e sua "prima" alemã é a adição de especiarias, principalmente sementes de coentro e cascas de laranja. Em 1800, a cidade de Hoegaarden era uma dos mais importantes centros cervejeiros na Bélgica, com 30 fabricantes produzindo Witbier.

Infelizmente o tempo passava e a tradição em produzir a Witbier diminuia e a última das cervejarias em Hoegaarden que produzia este estilo tinha encerrado a produção a cerca de 10 anos, quando Pierre Celis ressuscitou o estilo em 1966. Ele comprou equipamentos e aplicou seus conhecimentos sobre a produção da Wit, ele havia adquirido conhecimento quando trabalhou em uma cervejaria local, dai Celis fundou a De Kluis cervejaria. Esta reintrodução da witbier foi muito bem aceita, a cerveja Hoegaarden Witbier se espalhou mundo afora. Esta história tem um grande final, após vender a Hoegaarden para um grande indústria cervejeira belga, Pierre Celis mudou-se para Austin no Texas, onde montou outra cervejeria a Celis Brewery, alguns anos depois vendeu para retornar a Bélgica, deixando um grande legado e cervejas excepcionais. Hoje tem 83 anos mora na Bélgica e reinventou a história da Witbier.


Abaixo as impressões sobre a degustação com três cervejas do estilo, a Hoegaarden que hoje é da Inbev e importada para o Brasil pela mesma, a Blanche de Bruxelles e a Whitehead de Porto Alegre no Rio Grande do Sul.





Cerveja: Hoegaarden
Tipo: Witbier
Apresentação: Long Neck 330ml.
Alcool: 4,9%
Cor: Dourada opaca, leve turbidez.
Espuma: Boa formação, duradoura
Aroma: Frutado, condimentado, notas cítricas.
Paladar: Leve acidez, médio corpo, frutas, sensação residual ligeiramente ácida e doce.



Cerveja: Blanche de Bruxelles
Tipo: Witbier
Apresentação: Long Neck 330ml.
Alcool: 4,5%
Cor: Dourada opaca, leve turbidez.
Espuma: Boa formação, duradoura
Aroma: Doce, condimentos, cítrico.
Paladar: Médio a baixo corpo, notas doces, condimentado, toques cítricos, carbonatada.





Cerveja: Whitehead
Tipo: Witbier
Apresentação: Garrafa 600ml.
Alcool: 5%
Cor: Alaranjada, opaca, turva.
Espuma: Boa formação, duradoura
Aroma: Doce, cravo, cítrico.
Paladar: Médio corpo, notas doces, toques cítricos, carbonatada, frutada.


Comentário: Os três exemplos degustados refletem bem as características do estilo, a Hoegaarden se mostrou mais perceptível nos aromas, já a Whitehead mais destacado o paladar, e a Blanche de Bruxelles mais equilibrada e discreta.